Impasse no Líbano piora com Parlamento paralisado devido a protestos

Crise que assola país há um mês paralisou economia e aumentou ameaça de inadimplência

Bagdá | Bloomberg

Manifestantes libaneses lotaram a capital Beirute nesta terça-feira (19) e forçaram o Parlamento a adiar a abertura de uma sessão por tempo indeterminado, depois de enfrentarem o Exército e a polícia antimotins, agravando a tempestade política no país.

O Legislativo se reunirá em data posterior, depois que os manifestantes impedirem a chegada de legisladores suficientes para formar quórum, com alguns questionando a legitimidade de uma sessão na ausência de um governo. 

Em meio ao caos, veículos pertencentes a deputados aceleraram pelo centro de Beirute, ouvindo-se tiros quando dois carros passaram tentando dispersar a multidão.

A profunda crise que assola o Líbano há um mês paralisou a economia e aumentou a ameaça de inadimplência. O primeiro-ministro Saad Hariri deixou o cargo no final do mês passado, e os manifestantes exigem um governo de tecnocratas para evitar um colapso financeiro iminente.

Manifestantes fogem de forças de segurança durante protesto antigoverno em Beirute
Manifestantes fogem de forças de segurança durante protesto antigoverno em Beirute - Anwar Amro/AFP

A frustração aumentou, pois o presidente Michel Aoun ainda não definiu uma data para as negociações parlamentares que desembocarão na nomeação de um novo primeiro-ministro.

Os principais partidos políticos indicaram um rico empresário para liderar o gabinete, mas ele retirou sua candidatura depois de uma reação dos manifestantes. 

O Parlamento já adiou uma sessão há uma semana por causa dos distúrbios.

Aoun tentou pregar a calma na terça-feira, publicando no Twitter que "as condições econômico-financeiras estão sob controle e serão abordadas gradualmente". Ele prometeu que o novo governo incluirá políticos, especialistas e representantes dos protestos.

O Legislativo pretendia discutir na terça-feira uma série de leis anticorrupção, bem como uma lei de anistia geral que os manifestantes dizem que se estenderá aos que cometeram crimes financeiros e ambientais, infrações que eles atribuem às elites políticas.

Antes do adiamento da sessão parlamentar, as forças de segurança isolaram as entradas que levam à praça Nejmeh, em Beirute, para impedir que a população se aproximasse do prédio e permitir que os parlamentares entrassem na sessão.

Aumentando o tumulto, dezenas de pessoas ficaram diante de bancos em Beirute e em outros lugares, com pelo menos um segurança estacionado nas proximidades para impedir a repetição de confrontos entre funcionários e clientes. 

As instituições de crédito, que estiveram fechadas durante boa parte do mês passado, adotaram conjuntamente uma série de restrições à movimentação de capitais para evitar o caos financeiro.

No centro de Beirute a tensão era palpável.

Ali Ammar, membro do bloco parlamentar do Hizbullah, caminhou até o Parlamento, mas foi assediado e rapidamente confrontado por manifestantes. A polícia estava removendo barricadas de metal que havia montado para permitir que alguns veículos de parlamentares chegassem à sessão.

Um grupo de deputados disse que pretendia apenas eleger comissões legislativas, mas não participaria da sessão plenária.

"Eles não devem entrar porque precisam se concentrar em outra coisa", disse um dos manifestantes, que não deu seu nome. 

"Precisamos de um governo de tecnocratas, não de uma sessão do Parlamento", disse ele, em frente à entrada do prédio no centro de Beirute, diante das forças de segurança e usando a bandeira libanesa como cachecol.

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