Lacalle Pou afirma querer ter boas relações com Bolsonaro e Fernández

Em gesto espontâneo, uruguaio pediu aplausos a apoiador da legenda derrotada durante ato

Montevidéu e São Paulo | AFP

O presidente eleito do Uruguai, Luis Lacalle Pou, fez neste sábado (30) um chamado ao fortalecimento das relações entre presidentes do Mercosul e criticou aqueles que considera ditadores na América Latina.

"Teremos no Mercosul a melhor das relações com o presidente argentino [eleito, Alberto Fernández], com o presidente brasileiro [Jair Bolsonaro] e com o presidente paraguaio [Mario Abdo Benítez] para levantar a região", prometeu Lacalle Pou, 46, durante um ato de comemoração da sua vitória nas eleições, nas quais derrotou a governista Frente Ampla, de centro-esquerda.

Luis Lacalle Pou e sua esposa, Lorena Ponce de Léon, durante ato de comemoração da vitória nas eleições uruguaias, em Montevidéu
Luis Lacalle Pou e sua esposa, Lorena Ponce de Léon, durante ato de comemoração da vitória nas eleições uruguaias, em Montevidéu - Nicolás Celaya/Xinhua

Alberto Fernández foi eleito na Argentina no fim de outubro, junto com sua vice, a ex-presidente Cristina Kirchner.

O senador do Partido Nacional, de centro-direita, venceu com 48,8% dos votos o rival Daniel Martínez, que obteve 47,3%, após a conclusão, neste sábado, da apuração dos "votos observados", habitualmente realizada pelo Tribunal Eleitoral.

A contagem final foi determinante no resultado do pleito devido à diferença apertada de cerca de 35 mil votos entre os dois candidatos à Presidência.

Diante de dezenas de milhares de pessoas reunidas em frente ao rio da Prata, em Montevidéu, Lacalle Pou enviou uma mensagem para outros governos latinos.

"Precisamos de uma região forte, com bons governos, que tenham um bom relacionamento", disse ele, que assumirá em 1º de março de 2020 um mandato de cinco anos.

O presidente eleito lidera uma coalizão de cinco partidos, que contempla desde a direita até a esquerda social-democrata.

Ele fez críticas à política externa da Frente Ampla: "Não importa o partido nem a ideologia. Se nos guiarmos pela ideologia nas relações exteriores, não estaremos representando todo o país, e nosso interesse é de todos e cada um dos uruguaios".

"Está claro que, nas relações exteriores, não nos envergonharemos. Está claro o que iremos fazer: vamos chamar os ditadores de ditadores", enfatizou o presidente eleito, que, durante a campanha eleitoral, disse que a posição do atual governo sobre a Venezuela é "uma vergonha nacional".

O Uruguai, assim como México e Cuba, não integra o Grupo de Lima, que pressiona para que o ditador Nicolás Maduro deixe o poder e vem buscando uma posição de mediação entre Caracas e os países da região. 

Apoio inesperado

Em um mar de bandeiras do Partido Nacional e de apoiadores do recém-eleito, um homem se destacou neste sábado em Montevidéu.

Milton Posse, 64, resolveu ir ao ato levando bandeiras da derrotada Frente Ampla, assim como um cartaz em que se lia: "Parabéns. Se vocês vão bem, eu também. Sorte!", segundo relato do jornal El País. 

Lacalle Pou o avistou do palco e pediu que a multidão o reconhecesse.

"Vamos todos aplaudir o cidadão amplo-frentista que veio nos acompanhar!", disse ele. Junto ao som dos aplausos, podia-se ouvir um coro de "Uruguai!". 

Em meio à onda de protestos que vive a América Latina nos últimos meses, o país se destacou pelas eleições pacíficas e pela civilidade e respeito entre adversários políticos. 

"Sabem que esta vai ser a foto que a imprensa internacional publicará amanhã, né? Nós não apareceremos", brincou Lacalle Pou. 

Ao jornal El Observador, Milton, que estava acompanhado de dois filhos, disse ser "fanático da Frente Ampla". A legenda governou o Uruguai nos últimos 15 anos. 

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