Presidente francês diz que Otan está em 'morte cerebral'

A um mês da reunião de cúpula da organização, Macron fala em 'esclarecer quais são as finalidades estratégicas' da aliança

Paris | AFP

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirma acreditar que a Otan (aliança militar ocidental, liderada pelos Estados Unidos) está morrendo. Os sinais, segundo ele, são a falta de coordenação entre a Europa e os Estados Unidos e as ações militares da Turquia na Síria.

"O que estamos vivendo atualmente é a morte cerebral da Otan", disse à revista britânica The Economist.

"Não há nenhuma coordenação na tomada de decisões estratégicas entre Estados Unidos e seus aliados da Otan. Nenhuma. Há uma ação agressiva, descoordenada, de outro aliado da Otan, a Turquia, em uma zona em que nossos interesses estão em jogo", completou.

O presidente francês, Emmanuel Macron, fala com jornalistas na reunião da Otan do ano passado, em Bruxelas
O presidente francês, Emmanuel Macron, fala com jornalistas na reunião da Otan do ano passado, em Bruxelas - Ludovic Marin - 12.jul.18/Reuters

A menos de um mês da reunião de cúpula da organização, em Londres, o presidente francês disse que é preciso "esclarecer quais são as finalidades estratégicas da Otan".

Durante a entrevista, Macron também pôs em dúvida o futuro do artigo 5 da aliança, que estabelece que um ataque contra um Estado membro da organização é considerado um ataque contra todos.

"O que significará o artigo 5 amanhã? Se o regime [sírio] de Bashar al-Assad decidir adotar represálias contra a Turquia, vamos nos comprometer com eles? É uma pergunta crucial", disse.

As declarações do francês provocaram reação da chanceler alemã, Angela Merkel. “Não acho que opiniões tão radicais sejam necessárias, mesmo que tenhamos problemas e precisemos reunir forças”, disse ela, em entrevista coletiva com o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg.

Ele acrescentou que a aliança permanece “forte” e destacou que os Estados Unidos e a Europa atualmente “trabalham juntos", mais do que têm feito "há décadas”.

A Rússia, por outro lado, apoiou a posição de Macron. "São palavras de ouro. Sinceras e que refletem o essencial. Uma definição precisa do estado atual da Otan", escreveu no Facebook a porta-voz da diplomacia russa, Maria Zajarova.

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