Bolívia anuncia novas eleições presidenciais para 3 de maio

Segundo pesquisa, líder cocaleiro que pode sair candidato pelo MAS venceria outros nomes na disputa

Buenos Aires

Os bolivianos finalmente voltarão às urnas para eleger um novo presidente no próximo dia 3 de maio, segundo anunciou o TSE (Tribunal Supremo Eleitoral), na noite de sexta-feira (3). 

O anúncio foi realizado pelo porta-voz e vice-presidente do órgão, Óscar Hassenteufel. 

As novas eleições foram convocadas depois da crise política originada pelas denúncias de fraude pela OEA (Organização dos Estados Americanos) na eleição de 20 de outubro, que haviam dado o então presidente Evo Morales como vencedor. 

Após semanas de intensa tensão e violência social, Evo foi convidado a renunciar pelas Forças Armadas, e o poder ficou com Jeanine Añez.

Añez, segunda-vice-presidente do Senado, declarou-se presidente em 12 de novembro, após a renúncia de toda a cadeia sucessória do Executivo, numa manobra cheia de controvérsia em que o Congresso não chegou a aprovar nem a renúncia de Evo, nem a posse da senadora.

Titulares do Tribunal Supremo Eleitoral da Bolívia, Salvador Romero Ballivián, Nancy Gutiérrez, Oscar Hassenteufel, a presidente da assembleia nacional, María Angélica Ruiz, Francisco Vargas e Rosario Baptista em cerimônia de posse de novos membros, em dezembro de 2019 - Meagan Hancock/Xinhua

“A eleição será no primeiro domingo de maio. Na segunda-feira (6) será publicado todo o cronograma”, afirmou Hassenteufel. 

Por ora, os pré-candidatos já confirmados são o ex-presidente Carlos Mesa, que ficou em segundo lugar na polêmica eleição de outubro, o líder cívico Luis Fernando Camacho e o pastor sul-coreano Chi Hyung Chun, conservador que obteve a terceira posição no pleito.

Além destes, estará o candidato do MAS (Movimento ao Socialismo, partido de Evo Morales).

O nome será escolhido em 19 de janeiro, segundo anunciou o ex-presidente, agora chefe de campanha do partido e refugiado político, em entrevista concedida na semana passada a jornalistas em Buenos Aires, onde está morando.

O próprio Evo não poderá concorrer. Ele foi excluído da lei que convocou novas eleições, com base em um artigo da Constituição que proíbe a reeleição após dois mandatos. 

Entre os possíveis herdeiros de Evo estão o jovem líder cocaleiro Andrónico Rodríguez, os ex-chanceleres Diego Pary e David Choquehuanca e o ex-ministro da economia Luis Arce.

Em pesquisa recente do jornal Página Siete, Rodríguez lideraria em um cenário no qual fosse escolhido candidato do MAS, com 26% dos votos, contra 23% de Mesa e 13% de Camacho.

O anúncio da nova data era aguardado inicialmente para o mês de dezembro.

Ao assumir a Presidência após a renúncia de Evo, Jeanine Añez prometeu convocar um novo pleito no país. 

Uma lei excepcional promulgada por seu governo no último dia 24 de novembro determinou que o TSE  fosse totalmente renovado. 

O previsto era que os novos membros fossem escolhidos pelo Congresso até 18 de dezembro e que a data das novas eleições fosse divulgada 48 horas depois da posse dessas autoridades.

No entanto, chegada a data, o único integrante do TSE empossado —que foi nomeado por Añez, já que a lei previa que um deles fosse indicação do Executivo— pediu a ampliação do calendário, afirmando que o prazo de 48 horas era muito curto para encaminhar o processo. 

O adiamento foi aceito pelos senadores, recebendo também o aval do MAS. A presidente do Senado, Eva Copa, é da sigla.

A lei estabelecia que o novo pleito ocorresse em até quatro meses após a divulgação da data —analistas acreditavam que a nova disputa fosse realizada em março ou abril. Há um prazo de até 45 dias para um eventual segundo turno. 

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