Trump diz a Fórum de Davos para rejeitar alarmismo ambiental

Americano exalta os próprios feitos, diz que ele e Xi Jinping se amam e que é hora de otimismo

Davos

Não houve fanfarra neste ano como em 2018, quando Donald Trump subiu ao palco apenas após uma banda homenageá-lo. Desta vez, antes de seu discurso, um coro de vozes tocou uma canção informalmente considerada o hino da Suíça.

Bumbos para bater, somente no discurso, no qual disse que “os EUA estão se superando”. “Estamos vencendo de novo”, afirmou, antes de desdenhar “profetas do apocalipse” —alusão à ativista ambiental Greta Thunberg, que participara de um painel horas antes de Trump subir ao palco e discursaria, pouco depois, em uma sessão sob o nome “Evitando o Apocalipse Climático”.

O presidente Donald Trump, durante discurso em Davos - Denis Balibouse/Reuters

“Temos motivos para sermos otimistas. Não é tempo para as dúvidas ou para o medo”, disse, enumerando previsões mais soturnas que não se concretizaram. “Temos que rejeitar esses profetas do fim do mundo de sempre e suas previsões catastrofistas.”

Apesar do cutucão, o americano também tentou cicatrizar algumas feridas, algo que não fez em sua primeira participação, em 2018.

Detrator do Acordo de Paris sobre o clima, ao qual abandonou, disse que o ar em seu país nunca foi tão limpo e que está comprometido com “cuidar das belezas naturais da criação divina”.

Não fez, contudo, nenhum sinal de que pretenda trabalhar com a indústria para reduzir a emissão de gases estufa. Mas recebeu palmas ao dizer que os EUA se uniriam à iniciativa do Fórum, anunciada no ano passado, para plantar 1,2 trilhão de árvores —o cuidado com o ambiente é um dos eixos da reunião deste ano, e tem sido cobrado de governos e empresas.

A principal mensagem para a plateia lotada de líderes políticos, ativistas sociais, empresariais e jornalistas em sua segunda aparição no Fórum (ele não veio em 2019), entretanto, era a de que as tensões com a China arrefeceram, ao menos por ora.

Na opinião de Trump, a relação “nunca esteve melhor”. “Eu e o presidente Xi [Jinping], nós nos amamos”, disse o americano, que no passado já deixou sem resposta um “eu te amo” do brasileiro Jair Bolsonaro.

Pequim e Washington selaram recentemente um acordo para suspender a chamada guerra comercial, que mergulhou o mundo —e os investidores— em incertezas nos últimos meses. Pois Trump não somente tentou convencer outros líderes de que as coisas haviam entrado nos eixos como ressaltou acordos comerciais com Canadá e México e o desejo de forjar um pacto com a Coreia do Sul e o Reino Unido.

O discurso de 30 minutos, que começou 15 minutos atrasado apesar do apreço suíço à pontualidade, ocorre quando, do outro lado do Atlântico, o Senado americano examina o impeachment do presidente, que tentou pressionar seu aliado ucraniano, Volodimir Zelenski, a entregar-lhe erros de inimigos políticos em troca da manutenção de uma linha de ajuda financeira para Kiev.

A viagem parece ter sido calculada para demonstrar confiança e atrair o foco do eleitorado americano, que vai às urnas em novembro, mirar outra coisa. Nesse sentido, o palco do encontro anual do Fórum Econômico Mundial assumiu ares de palanque doméstico.

Ao longo do pronunciamento, Trump enumerou feitos, sobretudo a recuperação do mercado de trabalho americano, e exortou outros países a seguirem seus passos. “Peço que liberem seus cidadãos do fardo da burocracia”, exclamou. O índice de desemprego nos EUA paira atualmente em 3,5%, o menor nos últimos dez anos e um dos mais baixos da história.

Foi só nove minutos depois de começar a falar que o americano parece ter se lembrado de que discursava para uma plateia global e convinha citar a comunidade internacional para além dos acordos de comércio. A alusão, porém, foi um tanto desastrada.

“Ninguém está no nosso nível. Alguns chegarão, porque muitas coisas boas aconteceram com os EUA e podem acontecer com outros países. Mas ainda não”, exclamou, para um riso contido do público de 1.500 pessoas. Não ficou claro se o americano falava da eleição de outros líderes alinhados com ele.

 
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