Descrição de chapéu Venezuela

Maduro diz estar pronto para 'arrebentar os dentes' de Brasil e Colômbia

Em seu discurso anual, ditador da Venezuela afirmou estar preparado para uma ofensiva militar

São Paulo

Em seu discurso anual de prestação de contas, o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que as Forças Armadas venezuelanas estão prontas para “arrebentar os dentes” do Brasil e da Colômbia em caso de uma agressão militar por parte desses países, segundo relato da agência EFE.

“Se se atrevem, vamos arrebentar seus dentes, para que aprendam a respeitar a Força Armada Nacional Bolivariana e o povo de [Simón] Bolívar”, declarou na terça-feira (14), diante da Assembleia Nacional Constituinte, composta apenas por governistas.

Nicolás Maduro durante seu discurso anual na Assembleia Constituinte, em Caracas
Nicolás Maduro durante seu discurso anual na Assembleia Constituinte, em Caracas - Federico Parra/AFP

Maduro disse ainda que conhece os “planos imperiais” da “oligarquia colombiana” e do presidente brasileiro Jair Bolsonaro.

No mesmo discurso, Maduro se declarou disposto a aceitar o acompanhamento da ONU (Organização das Nações Unidas), da União Europeia e de outros órgãos internacionais durante as eleições da Assembleia Legislativa de 2020, ainda sem data para ocorrer.

Maduro descartou, no entanto, receber a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o seu respectivo secretário-geral, Luis Almagro. 

"Portas abertas ao acompanhamento internacional. Welcome, welcome!", disse Maduro, segundo a AFP. 

"Quem não entrará nesse país é Luis Almagro, aquele canalha (...). OEA e Almagro não entrarão nunca mais na Venezuela", afirmou. 

A Organização dos Estados Americanos (OEA) atuou como observadora durante as últimas eleições presidenciais na Bolívia e apontou irregularidades que culminaram na renúncia de Evo Morales, um dos principais aliados de Maduro.  

Maduro também disse estar aberto para que o Poder Eleitoral, acusado pela oposição de servir ao chavismo, possa "prestar mais apoio" durante as eleições legislativas. 

Por lei, a prestação de contas do presidente deve ser feita na Câmara, único poder controlado pela oposição no país. Porém, na prática a Assembleia Constituinte assumiu essa função depois que a sede do Legislativo se tornou um órgão rejeitado pelo governo.

A oposição, cujos principais partidos políticos boicotaram as eleições presidenciais de 2018, ainda não decidiu se participará do processo eleitoral prestes a acontecer.  

O líder da oposição, Juan Guaidó, que em 23 de janeiro do ano passado reivindicou a presidência interina da Venezuela —reconhecido por mais de 50 países, incluindo o Brasil— exige uma nova eleição presidencial. 

A maioria da oposição legislativa considera Maduro um "usurpador", acusando-o de ser reeleito de forma fraudulenta.

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