Descrição de chapéu The New York Times

Americanos penam para pronunciar sobrenome de democrata Pete But-ti-gieg

Muitos ainda não sabem como falar nome de pré-candidato, cujo pai era de Malta

Des Moines (Iowa) | The New York Times

O rosto de Todd Bratten mostrava a expressão de uma pessoa incomodada, tentando dizer uma palavra que não sabia pronunciar.

"Bom, vou chutar", disse ele, momentos antes de embarcar num avião para Atlanta. "BUTT-i-judge?" (algo como "Bat-i-jêj", em português).

Faz vários meses que o ex-prefeito Pete Buttigieg (pronuncia-se mais ou menos Bat-édj-édj), de South Bend, Indiana, anunciou que estava pensando em disputar a Presidência, muitos meses antes de Chris Wallace, da Fox News, o chamar de "Pete BUT-i-jadge". 

O pré-candidato democrata Pete Buttigieg discursa em evento na Universidade Drake, em Des Moines, Iowa
O pré-candidato democrata Pete Buttigieg discursa em evento na Universidade Drake, em Des Moines, Iowa - Win McNamee - 3.fev.20/Getty Images/AFP

E muitos meses depois de o público ser apresentado ao confuso nome com sua sequência de Gs e estranha configuração de vogais (a não ser que você seja de Malta).

Você poderia pensar que os eleitores já o conheceriam agora. Mas quando o New York Times publicou um teste online em dezembro para ver se os leitores reconheciam figuras públicas por seus retratos, menos de um terço dos que identificaram Buttigieg conseguiram soletrar seu nome corretamente.

Embora os erros fossem comuns na pesquisa —por exemplo, alguém escreveu "Beonyce" em vez de Beyoncé—, Buttigieg gerou impressionantes 167 variações, sugerindo que não importa como os participantes pensassem que fosse o nome, talvez por engenharia reversa do som que imaginavam, eles erraram.

Algumas pessoas pareceram confundi-lo com o treinador principal dos New England Patriots ("Bodicheck"); outros talvez tivessem visto as dicas de pronúncia mostradas na campanha e tentado se lembrar delas ("Butedgedge"); outros ainda sabiam claramente que o nome era cheio de vogais, mas não exatamente quais ou onde colocá-las ("Boudeguege").

Até os que não conseguem pronunciar Buttigieg geralmente mantiveram o nome quase certo. Uma exceção é o presidente Donald Trump, que usou a confusão para provocar o prefeito durante comícios.

"Eles dizem EDGE-EDGE", declarou Trump em maio passado, em tom de "vocês podem acreditar nisso?", forçando as sílabas como se fossem conceitos alienígenas. "Ele tem uma boa chance, não tem? Ele vai ser ótimo."

O próprio Buttigieg nunca pareceu se importar que seu nome seja difícil de acertar sem ajuda externa. Prefere usá-lo como uma maneira de falar sobre sua origem maltesa —seu pai era de Malta— e transmitir sua simpatia e acessibilidade.

"A maioria das pessoas tem dificuldade para pronunciar meu nome, por isso me chamam apenas de prefeito Pete", escreveu ele em 2016. 

A campanha transformou a confusão em vantagem, imprimindo em camisetas o nome fonético (em inglês): "BOOT-edge-edge".

Mas o marido do candidato, Chasten, confundiu um pouco mais as coisas ao oferecer algumas alternativas no Twitter ("Buddha-judge", "Boot-a-judge" e "Boot-uh-judge"), sugerindo que não há um ideal platônico de pronúncia.

Nesta segunda-feira (3), os participantes da convenção partidária que apoiaram Buttigieg não precisaram dizer seu nome em voz alta. Bastava ficarem no canto dele com outros eleitores e não se arriscariam a pronunciá-lo e passar vergonha em público.

Mesmo tendo o que parece ser espaço de manobra, muitos potenciais eleitores ainda ficam visivelmente nervosos quando precisam usar a palavra em voz alta.

Uma pesquisa rápida e improvisada nos aeroportos de Newark e Atlanta entre escalas de um voo para Iowa revelou tantas versões diferentes de "Buttigieg" quanto o número de viajantes dispostos a responder a perguntas no portão de embarque.

"BUT-i-gi", tentou Mohammed Irfan, 50, confiante. Então perdeu a segurança. "Não sei. BUT-i-jed? BUT-eh-jed?"

"BUTT-i-gig", disse uma mulher carregada de sacolas, que só revelou seu primeiro nome (Judy) e idade (75). "BUTT-i-veg", disse o marido dela, que não quis se identificar, por medo de parecer tolo.

Em março passado, Aaron Nemo, produtor associado do programa The Late Show With Stephen Colbert, da CBS, decidiu fazer seu próprio vídeo sobre a pronúncia de "Buttigieg".

O vídeo usa várias ajudas visuais —uma bota [BOOT] e duas bordas de precipício [edge-edge]— para ilustrar a questão.

"Não é Pete Badger-judge", entoa Nemo. "Não é Pete Boat-tea-church. Não é Pete Bowling-Jewish. Não é Pete Bush-toe-[ruído de gargarejo]." E "não é Pete Davidson. Esse é outro cara!".

"O que eu achei divertido foi a grande variedade de erros de pronúncia —de quantas maneiras diferentes as pessoas mutilavam seu nome, às vezes sem acertar uma única sílaba", escreveu Nemo, por e-mail.

De volta ao aeroporto de Atlanta, Bratten, o homem que se saiu melhor, disse que "prefeito Pete" é uma ótima solução para pessoas que ficam nervosas com a palavra "Buttigieg".

"Dá uma sensação calorosa, aconchegante", disse. "Mas eu acho que vai ser um longo caminho de 'prefeito Pete' a 'presidente Pete'."

Tradução de Luiz Roberto Mendes Gonçalves 

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