Trump ofereceu perdão se Assange negasse envolvimento russo em 2016, diz advogado

Fundador do WikiLeaks enfrenta 18 acusações nos EUA e pode ser condenado a prisão

Londres | Reuters

O presidente dos EUA ofereceu perdoar Julian Assange se ele dissesse que a Rússia não se envolveu no escândalo da publicação de emails do partido democrata em 2016 pelo WikiLeaks, site fundado por ele.

A informação foi dada pelo advogado de Assange a um tribunal de Londres nesta quarta (19).

O advogado, Edward Fitzgerald, fez referência a uma declaração do ex-congressista republicano Dana Rohrabacher, que teria visitado Assange em 2017, dizendo ter sido sido enviado por Donald Trump para lhe oferecer o perdão.

O indulto viria com a condição de que Assange colaborasse com os EUA, dizendo que os russos não tiveram conexões com o vazamento de emails que prejudicou a campanha presidencial de Hillary Clinton em 2016, na eleição que deu a vitória a Trump.

A porta-voz da Casa Branca, Stephanie Grisham, negou a informação do advogado de Assange.

"O presidente mal conhece Dana Rohrabacher, além do fato de ele ser um ex-congressista. Trump nunca falou com ele sobre esse assunto. É uma invenção completa e uma mentira total."

Assange, 48, passou sete anos asilado na embaixada do Equador em Londres antes de ser preso em abril do ano passado.

Ele é procurado pelos EUA, onde enfrenta 18 acusações, incluindo conspiração para invadir computadores do governo e violação de lei de espionagem. O australiano pode passar décadas preso se for condenado por tribunais americanos.

Quase uma década depois de seu site enfurecer Washington por vazar documentos americanos secretos, a corte de Woolwich Crown, em Londres, começará na segunda-feira (24) a primeira parte das audiências que vão decidir se ele será ou não extraditado para os EUA. 

A segunda metade do processo está agendada para maio.

Na audiência desta quarta-feira, Assange participou por videoconferência apenas para confirmar seu nome e data de nascimento. Ele parecia relaxado e passou grande parte da sessão lendo notas em seu colo. Usava dois pares de óculos: um sobre a cabeça e outro que colocava, tirava e girava em suas mãos.

Nascido na Austrália, Assange ganhou as manchetes mundiais no início de 2010, quando o WikiLeaks publicou um vídeo militar dos EUA mostrando um ataque de 2007 por helicópteros em Bagdá que matou uma dúzia de pessoas.

Mais tarde, o WikiLeaks divulgou documentos militares e notícias diplomáticas.

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