Dezessete estados processam Trump por ameaçar estudantes estrangeiros de deportação

Órgão de imigração definiu que alunos internacionais devem deixar EUA caso aulas sejam apenas online

Washington | Reuters

Um coalizão de 17 estados americanos apresentou nesta segunda-feira (13) uma ação judicial contra a decisão da Casa Branca de revogar vistos de estudantes estrangeiros que não tiverem aulas presenciais durante o próximo semestre letivo, que começa em setembro.

Há uma semana, a Agência de Imigração e Alfândega (ICE) declarou que estudantes internacionais deverão deixar os EUA caso suas aulas sejam ministradas totalmente online.

Segundo o jornal The New York Times, os estados alegam que a decisão pode prejudicar o cuidadoso planejamento de faculdades e universidades americanas, além de forçar o retorno de muitos estudantes aos seus países de origem, comprometendo severamente a formação acadêmica dessas pessoas.

O presidente americano, Donald Trump, em evento na Casa Branca, em Washington - Jonathan Ernst/Reuters

"As novas regras são cruéis, bruscas e ilegais", diz o documento apresentado pela coalizão.

A Universidade Harvard e o MIT (Instituto Técnológico de Massachusetts) já haviam entrado na semana passada com uma ação no tribunal federal de Boston pedindo o bloqueio temporário da decisão da Casa Branca. Um juiz da corte deve ouvir os argumentos das instituições na terça-feira (14).

"Continuaremos vigorosamente defendendo o bloqueio para que nossos estudantes internacionais —e os de outras instituições— possam continuar seus estudos sem a ameaça de deportação", escreveu o presidente de Harvard, Lawrence Bacow, em um comunicado dirigido à comunidade da universidade.

De acordo com uma declaração redigida por dezenas de instituições do país, alguns estudantes já foram impedidos de retornar aos EUA pelas novas regras de imigração.

O documento cita o caso de um estudante sul-coreano da Universidade DePaul, em Chicago, que teve a entrada negada quando tentou retornar aos EUA pelo Aeroporto Internacional de São Francisco.

O cerco à imigração é uma das grandes bandeiras da administração do presidente Donald Trump, que tem reforçado essa postura durante a crise sanitária.

Em abril, a Casa Branca suspendeu por 60 dias a emissão do green card, visto que garante a residência de estrangeiros nos EUA.

A medida foi renovada dois meses depois, no mesmo dia em que o presidente assinou uma ordem executiva para interromper a emissão de alguns tipos de visto para trabalhadores qualificados, alegando que a decisão protegeria americanos do desemprego.

Os críticos das ações do presidente dizem que Trump usa a pandemia para agradar sua base eleitoral. O republicano é candidato à reeleição em novembro, quando os democratas tentarão voltar à Casa Branca com Joe Biden.

O apoio dos americanos à expansão da imigração bateu recorde neste ano, e o número dos que gostariam que o país recebesse mais imigrantes superou pela primeira vez em 55 anos o dos que prefeririam que o país recebesse menos estrangeiros.

Segundo uma pesquisa do instituto Gallup, 34% dos americanos são favoráveis à expansão da imigração para os EUA, enquanto 28% gostariam que ela diminuísse. Quase 8 em cada 10 entrevistados (77%) disseram acreditar que a imigração é boa para o país.

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