Descrição de chapéu Governo Trump

Harvard e MIT processam governo Trump por ameaça de deportação a estudantes estrangeiros

Medida de órgão de imigração prevê que apenas alunos com aula presencial continuem nos EUA

Nova York | Reuters

A Universidade Harvard e o MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) entraram nesta quarta-feira (8) na Justiça contra o governo americano. As duas instituições pedem a suspensão da medida que ameaça deportar estudantes estrangeiros que tiverem apenas aulas online no país.

Na segunda-feira (6), a Agência de Imigração e Alfândega (ICE) dos Estados Unidos declarou que os alunos estrangeiros que não estiverem matriculados em escolas ou universidades com aulas presenciais terão que deixar o país em setembro.

A orientação se aplica aos titulares de vistos F-1 e M-1, destinados a estudantes acadêmicos e profissionais.

Vista geral do campus da universidade de Harvard
Vista geral do campus da Universidade Harvard - Maddie Meyer - 8.jul.20/AFP

Localizadas na cidade de Cambridge, na região metropolitana de Boston, Harvard e MIT são duas das melhores universidades do mundo.

As duas instituições entraram com o processo na corte federal de Boston, pedindo um mandado de segurança emergencial contra a nova orientação do governo.

"Nós iremos persistir nesse caso com vigor para que nossos estudantes internacionais —e estudantes internacionais em instituições de todo o país— possam continuar os seus estudos sem a ameaça de deportação", escreveu o presidente de Harvard, Lawrence Bacow, em nota à comunidade universitária.

O processo é o primeiro a contestar a orientação que pode obrigar dezenas de milhares de estudantes estrangeiros a deixar o país, caso suas instituições de ensino permaneçam apenas com o ensino à distância.

Harvard, por exemplo, já havia anunciado que todas suas aulas seriam online a partir do ano letivo que começa em setembro.

A procuradora-geral de Massachusetts, estado onde ficam as duas universidades, Maura Healey, afirmou em nota que o estado também planejava abrir um processo contra a decisão, que classificou como cruel e ilegal.

Seu escritório informou que manteve contato com Harvard e outras universidades para "apoiar seus esforços em proteger os estudantes".

O cerco à imigração é uma das grandes bandeiras da administração do presidente Donald Trump, e o republicano tem reforçado essa postura durante a crise sanitária do novo coronavírus.

Em março, sob o pretexto de proteger a saúde dos americanos, o presidente fechou as fronteiras com o México e com o Canadá para travessias consideradas não essenciais e implementou regras que permitiam a rápida deportação de imigrantes capturados nas divisas.

Em abril, suspendeu por 60 dias a a emissão do green card, visto que garante a residência de estrangeiros nos EUA.

A medida foi renovada dois meses depois, no mesmo dia em que o presidente assinou uma ordem executiva para interromper a emissão de alguns tipos de visto para trabalhadores qualificados, alegando que a decisão iria proteger americanos do desemprego.

No mês passado, a Suprema Corte dos EUA impediu Trump de encerrar o Daca, projeto do governo de Barack Obama que impede a deportação de mais de 600 mil imigrantes que entraram de forma irregular no país quando eram crianças.

Os críticos das ações do presidente dizem que ele está usando a pandemia para agradar sua base eleitoral. O republicano é candidato à reeleição em novembro —quando os democratas tentarão voltar à Casa Branca com Joe Biden.

Trump foi eleito em 2016 com uma forte retórica anti-imigração. No entanto, o apoio dos americanos à expansão da imigração bateu recorde neste ano, e o número dos que gostariam que o país recebesse mais imigrantes superou pela primeira vez em 55 anos o dos que prefeririam que o país recebesse menos estrangeiros.

Segundo uma pesquisa do instituto Gallup, 34% dos americanos são favoráveis à expansão da imigração para os EUA, enquanto 28% gostariam que ela diminuísse. Quase 8 em 10 entrevistados (77%) disseram acreditar que a imigração é boa para o país.

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