Descrição de chapéu Governo Trump

Mães de Portland vestem amarelo para proteger manifestantes de tropas enviadas por Trump

Mulheres se organizam em cidades como Washington e Chicago para apoiar protestos antirracistas

Portland (EUA)  | Reuters

Usando capacetes de bicicleta e camisetas amarelas, grupos de mães estão fazendo barreiras humanas para tentar proteger os manifestantes antirracistas dos agentes federais enviados a Portland pelo presidente Donald Trump.

As mulheres carregam cartazes com frases como "federais, fiquem longe, mães estão aqui" e "estou tão desapontada com você - mãe" e levam girassóis e símbolos de paz.

"Se temos esses grupos de mães em calças de ioga paradas ali, as pessoas vão se comportar um pouco melhor", disse Sabin, 57, uma das participantes.

Grupo de mães durante protesto em Portland, no Oregon, nos Estados Unidos - Caitlin Ochs - 22.jul.20/Reuters

Mesmo assim, elas foram alvo de bombas de gás lançadas por agentes, que tentaram dispersá-las.

Alguns pais também se juntaram aos atos, levando sopradores de folhas de jardim para ajudar a dissipar o gás lacrimogêneo.

O grupo de mães em Portland foi criado depois que imagens de agentes federais capturando e levando manifestantes em veículos sem identificação foram divulgadas na semana passada.

Nesta quinta-feira (23), a corregedoria do Departamento de Justiça dos EUA disse que vai abrir uma investigação para averiguar as denúncias de abusos cometidos pelos agentes tanto em Portland, agora, quanto na capital do país, durante as manifestações no começo de junho.

Em Washington, policiais a cavalo e soldados armados usaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para tirar manifestantes do caminho de Trump, que saiu da Casa Branca até a igreja de St. John, onde posou para uma foto segurando uma Bíblia.

A apuração vai analisar se os policiais envolvidos nos relatos apresentaram identificação adequada e se cumpriram as políticas federais de uso da força ao aplicar a lei.

Protestos contra o racismo atingem a cidade, na costa oeste do país, há quase dois meses, desde o assasinato de George Floyd, em 25 de maio, em Minneapolis. Negro, ele foi sufocado pelo joelho de um policial branco por quase nove minutos.

Para tentar conter os atos e proteger estátuas de figuras ligadas à escravidão ou ao colonialismo que os manifestantes ameaçavam derrubar, Trump enviou agentes federais. O gesto acirrou os ânimos, e os protestos na cidade ficaram mais intensos, com vários confrontos entre ativistas e guardas nos últimos dias.

Agora, além do fim das injustiças raciais, as manifestações em Portland também pedem a saída das tropas federais.

Trump, que busca a reeleição em novembro, aposta em um discurso de defesa da lei e da ordem e tem criticado os protestos antirracistas.

Ele prometeu enviar mais agentes federais para outras cidades do país, que iriam ajudar as polícias locais a conter ondas de violência e a proteger os monumentos.

A ameça tem despertado a ira de prefeitos de cidades como Nova York e Chicago, que veem as medidas como uma interferência política capaz de gerar danos a grupos que são alvos da brutalidade policial, como negros e imigrantes.

Grupos de mães se formaram em ao menos outras seis cidades do país. Em Washington, um deles convocou uma marcha contra o "Estado policial de Trump" para sábado (25). Outro ato está marcado no mesmo dia em Chicago.

No entanto, alguns ativistas dizem temer que a presença dessas mulheres, a maioria das quais branca, possa tirar o foco das demandas do movimento negro.

"Isso parece muito com atos para render boas fotos e fazer essas mulheres brancas se sentirem melhores com elas mesmas", disse a ativista E. Gomez.

Luna Jane, 27, uma mãe negra, considera a iniciativa boa, pois diz acreditar que a presença das mulheres mais velhas ajuda a criar um ambiente mais seguro nas ruas e, com isso, encorajar mais pessoas a protestar.

"Estou lutando pelo direito da minha filha de viver em segurança dentro de sua própria casa", disse Jane, em referência a Breonna Taylor, profissional de saúde morta em seu apartamento pela polícia em Louisville.

Na manhã desta quinta, o prefeito de Portland, Ted Wheeler, foi atingido por gás lacrimogêneo depois de se juntar a manifestantes do lado de fora do Centro de Justiça.

Ao visitar o local dos protestos, Wheeler foi vaiado por ativistas que pediram sua renúncia. Eles argumentam que o prefeito deveria ter feito mais para proteger os cidadãos.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.