Facebook proíbe blackface e teorias da conspiração antissemitas em suas plataformas

Empresa expandiu restrições nas políticas de conteúdo do site e do Instagram

San Francisco | Reuters

O Facebook proibiu nesta terça (11) a publicação de postagens com "blackface" (quando alguém pinta o rosto de preto para parecer negro) e de teorias da conspiração antissemitas na plataforma e no Instagram.

A mudança foi incluída nas políticas de conteúdo da empresa, que já vetava discurso de ódio —definido de maneira geral como “ataques a pessoas baseados em raça, origem, religião, orientação sexual ou gênero”.

Também já eram proibidas ofensas específicas, como comparar mulheres a objetos ou propriedade, ou se referir a pessoas trans e não binárias com o pronome indefinido “it” (isso, em português).

Em Amsterdã, manifestantes protestam com cartazes com as frases "Zwarte Piet é racista" e "liberte Piet", em referência ao personagem de festas folcóricas na Holanda
Em Amsterdã, manifestantes protestam com cartazes com as frases "Zwarte Piet é racista" e "liberte Piet", em referência ao personagem de festas folcóricas na Holanda - Bas Czerwinski - 16.nov.13/AFP

A plataforma adota um sistema de níveis para definir a gravidade de um post em relação às políticas de discurso de ódio. No primeiro nível, foram incluídos o "blackface" e as teorias da conspiração, bem como comparar pessoas negras a macacos, judeus a ratos ou muçulmanos a porcos.

No segundo, estão xingamentos diretos, como associar grupos de pessoas com falta de higiene ou baixa inteligência. Por fim, no terceiro nível, vêm as ameaças de exclusão da sociedade e morte.

O vice-presidente de integração e segurança do Facebook, Guy Rosen, disse que a maior parte da moderação acontece de forma automática, por meio de algoritmos, porque funcionários da empresa estão em trabalho remoto.

“É muito difícil administrar esse tipo de conteúdo explícito em casa, cercado de familiares”, afirmou o executivo, referindo-se às imagens de cunho preconceituoso que precisam ser analisadas pelos funcionários.

O "blackface" tem significados variados em diferentes lugares do mundo. Nos EUA, a prática é amplamente considerada uma forma de racismo, pois traça suas raízes nos espetáculo de menestréis, chanchadas racistas do século 19 em que atores brancos se pintavam de preto para zombar de pessoas negras.

Já na Europa, a pintura é utilizada em festas folclóricas, com origens variadas. O exemplo mais comum é o “Zwarte Piet" (Pedro Negro), na Holanda e na Bélgica.

O personagem é o ajudante do Papai Noel na cultura desses países e é representado em desfiles de Natal por pessoas com o rosto pintado de preto, perucas de cabelo crespo e batom vermelho.

Recentemente, grupos na Holanda passaram a criticar a prática, relacionando-a ao passado colonial do país europeu e a seu papel central no tráfico negreiro.

Após os protestos em reação à morte de George Floyd, homem negro assassinado nos EUA por um policial branco, uma pesquisa feita em junho de 2020 mostrou que 53% dos holandeses não apoiam a aparição do “Zwarte Piet" em desfiles. Em novembro de 2019, o índice era de 29%.

O primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, disse no dia 5 de junho que mudou de ideia a respeito do personagem e que compreende por que algumas pessoas se sentem ofendidas.

A política do Facebook também proíbe a divulgação de notícias falsas sobre a crise sanitária, por exemplo. Nesta terça, cerca de 7 milhões de contas foram excluídas por essa razão.

No dia 5 de agosto, o Facebook tirou do ar um vídeo do presidente dos EUA, Donald Trump, no qual ele afirmou que crianças são "quase imunes" à Covid-19. Foi a primeira vez que a empresa removeu um post de Trump. Não há evidências que comprovem a afirmação do presidente.

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