Descrição de chapéu Eleições EUA 2020

Promotoria de Manhattan sugere que está investigando Trump por fraude

Inquérito pode ir além do suborno de mulheres que dizem ter mantido relações sexuais com presidente

Nova York | Reuters

A Promotoria de Manhattan sugeriu, nesta segunda (3), que a investigação contra o presidente americano, Donald Trump, pode ser mais ampla do que inicialmente anunciada —incluindo fraude bancária e de seguros.

A indicação veio em uma nova argumentação do procurador Cyrus R. Vance Jr. para exigir que a empresa de contabilidade de Trump obedeça a uma intimação que pede acesso a oito anos de registros financeiros.

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com jornalistas na Casa Branca nesta segunda (3) - Brendan Smialowski - 3.ago.2020/AFP

No texto, Vance Jr. sugere que não está investigando Trump e uma de suas empresas apenas pelos pagamentos feitos para comprar o silêncio de duas mulheres que disseram ter mantido relações sexuais com o republicano —a ex-atriz pornô Stormy Daniels e a ex-modelo da Playboy Karen McDougal.

Sem identificar diretamente o objeto do inquérito, o procurador afirma que a investigação está relacionada a "supostas fraudes bancárias e de seguros da Organização Trump e seus funcionários" e que informações apresentadas anteriormente em tribunais e em reportagens sobre as práticas de Trump nos negócios mostram que a Promotoria tem ampla base legal para pedir a intimação.

Em sua argumentação, Vance Jr. cita reportagens que mostram que o presidente inflou seu patrimônio líquido e o valor de suas propriedades, além de publicações sobre o depoimento de seu ex-advogado Michael Cohen ao Congresso —em que ele afirma que Trump teria cometido fraude de seguros.

Se a investigação for ampliada de fato, o caso se torna um problema mais grave para Trump e os executivos de suas empresas, já que fraude bancária e de seguros são crimes mais graves do que suborno.

A batalha entre Trump e o procurador Vance Jr. pelo cumprimento da intimação já dura quase um ano e chegou à Suprema Corte.

Na semana passada, o presidente fez a mais recente tentativa de anular a intimação, depois que tribunal decidiu que o presidente não estava imune a investigações criminais estaduais.

Em sua segunda emenda de apelação, Trump argumentou que a intimação era "extremamente exagerada" e foi emitida de "má fé".

Em resposta, Vance Jr. afirmou que o argumento de Trump "se baseia na falsa premissa de que a investigação do grande júri está limitada aos chamados pagamentos em dinheiro feitos por Michael Cohen" em nome de Trump.

Cohen foi preso, condenado por sonegação de impostos e por mentir no Congresso. Também foi condenado pela compra do silêncio das duas mulheres.

Para tentar reduzir sua sentença, ofereceu informações aos investigadores que pudessem comprometer Trump e sua família, incluindo no caso relacionado à acusação de interferência russa na disputa presidencial de 2016.

O advogado trabalhou para a Organização Trump por uma década e insiste que todos os atos pelos quais foi condenado ocorreram a mando do presidente.

O ex-advogado de Donald Trump, Michael Cohen, deixa seu apartamento para se encaminhar à prisão, em Nova York - Jeenah Moon - 6.mai.2019/Reuters

"Por que eu sou o único?", questionou em uma entrevista à revista The New Yorker, à época da prisão.

"Não trabalhei para a campanha. Trabalhava para ele. Por que sou o único que vai para a cadeia? Não fui eu quem dormiu com a estrela pornô."

O advogado de Cohen afirma que o filho mais velho do presidente, Donald Trump Jr., deveria ter sido preso, porque foi ele quem "assinou os cheques".

Para o presidente americano e seus aliados, a sentença contra Cohen teve sabor de vingança, depois que o advogado se voltou contra o agora ex-chefe.

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