China e Índia prometem reduzir tensão militar na fronteira no Himalaia

Chanceleres se encontram em Moscou depois de tiroteio violar cessar-fogo na região

São Paulo

China e Índia declararam que o impasse na região disputada pelos dois países no Himalaia "não é do interesse dos dois lados" e prometeram medidas para reduzir a alta tensão que já provocou mortes neste ano.

Os chanceleres Jaishankar (Índia, esq.), Serguei Lavrov (Rússia, centro) e Wang Yi (China) em Moscou
Os chanceleres Jaishankar (Índia, esq.), Serguei Lavrov (Rússia, centro) e Wang (China) em Moscou - Ministério das Relações Exteriores da Rússia - 10.set.2020/via AFP

Os chanceleres dos dois países, o chinês Wang Yi e o indiano Subrahmanyam Jaishankar, se encontraram na noite de quinta (10) em Moscou, onde ocorre uma reunião da Organização de Cooperação de Xangai, um ente multilateral asiático.

"Os ministros concordam que, à medida que a situação se acalmar, os dois lados devem acelerar medidas de confiança mútua para manter a paz", afirmou o texto, citando como prioridade desengajar as tropas na região da Linha de Controle —a fronteira de fato dos países na região.

Não foram anunciadas medidas concretas, contudo. Na segunda-feira (7), houve o primeiro tiroteio na área desde que um cessar-fogo foi estabelecido em 1996. A disputa remonta à formação dos dois países em sua versão moderna, no fim dos anos 1940.

Em 1962, eles foram à guerra, vencida pelos chineses. Mas as escaramuças seguem, e a tensão escalou novamente em maio deste ano, com provocações de lado a lado.

Em junho, houve o pior incidente em 53 anos, com a morte de 20 indianos e um número desconhecido de chineses, que ainda respeitaram o cessar-fogo e se atacaram com paus e pedras.

Há duas semanas, indianos ocuparam quatro posições defensivas perto do lago Pangong, algo visto como uma violação pela China. Na segunda, houve o tiroteio, pelo qual os dois lados se acusaram.

Como não é prudente dois Estados com armas nucleares ficarem trocando tiros, os chanceleres resolveram se encontrar. A ver se dará certo, dado que esforços anteriores não lograram sucesso. A China tem 320 ogivas nucleares, ante 150 da Índia.

Ninguém espera, como ficou claro, uma guerra. Mas a evolução das rusgas fronteiriças tomou dimensão preocupante.

Os dois lados elevaram a presença militar na região, e na própria quinta os chineses anunciaram que estavam fazendo treinos militares para combate em alta altitude —uma indireta nada sutil, dado que a região em disputa está na casa dos 4.000 metros acima do nível do mar, em média.

Agora, as tropas precisam "manter distância e relaxar as tensões", disse o comunicado.

Para os russos, foi uma vitória política. Eles são próximos dos dois lados, parceiros também de Moscou no grupo Brics (com Brasil e África do Sul).

Pequim desconfia da proximidade recente de Nova Déli com Washington, no escopo da Guerra Fria 2.0 promovida por Donald Trump. Os indianos, por sua vez, não veem com bons olhos a parceria militar existente entre chineses e paquistaneses, seus maiores adversários.​

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