Descrição de chapéu China Brics

Hong Kong prende mais famoso ativista pró-democracia por cobrir rosto em protesto

Joshua Wong foi detido por 'reunião ilegal' em 2019; União Europeia criticou medida

Hong Kong | AFP e Reuters

O ativista Joshua Wong, o nome mais conhecido do movimento pró-democracia em Hong Kong, foi detido nesta quinta-feira (24) por "reunião ilegal" e por cobrir o rosto durante um protesto organizado em outubro de 2019 no território semiautônomo, informou seu advogado.

Wong, 23, foi solto na sequência, após pagar fiança. A detenção coincide com o aumento do controle da China sobre Hong Kong desde que o país asiático aprovou uma lei de segurança nacional vista como uma resposta à onda de manifestações na ex-colônia britânica no ano passado.

Após deixar delegacia em Hong Kong, o ativista pró-democracia Joshua Wong segura documento que atesta pagamento de fiança
Após deixar delegacia em Hong Kong, o ativista pró-democracia Joshua Wong segura documento que atesta pagamento de fiança - Isaac Lawrence/AFP

Segundo uma postagem de Wong no Twitter, as penas a que ele está sujeito são de cinco anos de prisão pelo o que Hong Kong considera reunião ilegal e de mais um ano por violar a proibição do uso de máscara para ocultar o rosto. A lei, aprovada pelo governo local para tentar enfraquecer as manifestações, foi posteriormente declarada inconstitucional.

O advogado do jovem afirmou que ele foi detido quando se apresentou a uma delegacia, algo que Wong é obrigado a fazer periodicamente devido a outro caso judicial em curso.

A polícia de Hong Kong confirmou a prisão de dois homens, com idades de 23 e 74 anos, por reunião ilegal em 5 de outubro de 2019.

Atualmente, o uso de máscara é obrigatório em locais públicos de Hong Kong para evitar a propagação do coronavírus. Há um ano, no entanto, a utilização do item de proteção era proibida, e a regra ampliou ainda mais os protestos num momento em que a ex-colônia britânica registrava grandes manifestações, um movimento inédito desde sua devolução à China, em 1997.

"Wong é suspeito de ter participado de uma reunião ilegal em 5 de outubro do ano passado, data em que centenas de pessoas saíram às ruas para se opor à norma de uso de máscaras estabelecida em virtude de normas de emergência da época colonial", explicou Jonathan Man, advogado do ativista.

Ao proibir que os manifestantes cobrissem os rostos, as autoridades locais facilitavam o trabalho da polícia e dissuadiam alguns jovens de participar dos protestos. O governo de Hong Kong invocou leis de 1922, que não eram utilizadas desde 1967, para justificar a proibição do uso de máscaras nos atos.

Em reação à prisão, a União Europeia (UE) afirmou que a detenção de Wong mina a confiança do bloco na China e poderá ter consequências para o relacionamento bilateral. "A evolução da situação em Hong Kong questiona a vontade da China de respeitar os compromissos internacionais, mina a confiança e tem repercussões nas relações entre UE e China", afirmou o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell.

O bloco europeu destaca que "um sistema judicial independente, que opere livre de influência ou consideração política, é uma pedra fundamental da autonomia de Hong Kong sob o princípio de 'um país, dois sistemas'", conceito que rege as relações com a China.

Para a UE, a detenção de Wong é similar a de outros ativistas nos últimos meses e deveria ser objeto de "uma análise cuidadosa por parte do Poder Judiciário". Wong já protestava nas ruas do território em 2014, quando emergiu como principal liderança do Movimento dos Guarda-Chuvas, que ganhou esse nome devido ao uso do item para a proteção dos manifestantes contra jatos de água e spray de pimenta.

Franzino e com feição de adolescente, ele é seguido por apoiadores de perfil muito semelhante, todos ligados a aplicativos de mensagens e discretos em relação às suas identidades e financiadores.

Ele passou seis meses preso em 2017, após seu grupo, o Demosisto, ter participado de uma invasão à sede do governo de Hong Kong. Wong visita frequentemente Washington, onde faz apelos para que o Congresso americano apóie o movimento pró-democracia de Hong Kong.

Essas visitas enfurecem Pequim, que afirma que ele age a mando de forças estrangeiras.

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