Ex-policial que sufocou George Floyd com o joelho é libertado após pagar fiança de US$ 1 milhão

Derek Chauvin aguardará julgamento por homicídio em liberdade condicional

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Washington | Reuters e AFP

Derek Chauvin, 44, ex-policial de Minneapolis que usou o joelho para sufocar e matar, em maio, o ex-segurança negro George Floyd, foi libertado após pagar fiança de US$ 1 milhão (R$ 5,62 milhões).

Ele é alvo de processo por homicídio com intenção de matar. O assassinato de Floyd gerou uma onda de protestos pelo fim do racismo e da violência policial nos EUA e em todo o mundo.

Imagem retirada de vídeo mostra policial com joelho sobre pescoço de George Floyd
Imagem retirada de vídeo mostra policial com joelho sobre pescoço de George Floyd - Darnella Frazier - 25.mai.20/via AFP

O ex-agente foi libertado sob condição de não voltar a trabalhar em segurança pública e de não se aproximar da família de Floyd. Também terá de abrir mão de suas licenças para usar armas de fogo.

Registros do tribunal indicam que ele usou uma agência de fiança para pagar pela libertação. De acordo com o jornal The Washington Post, parentes não identificados do ex-policial lançaram uma campanha de arrecadação online no mês passado para levantar o valor necessário para a liberação.

A iniciativa, no entanto, naufragou. Até esta quarta, a campanha havia reunido menos de US$ 4.000 (R$ 22,45 mil). O ex-oficial também enfrenta acusações de evasão fiscal estadual, e o valor declarado pelo trabalho como segurança, fora da polícia, não ultrapassou US$ 95 mil (R$ 533 mil).

Segundo a agência de notícias Associated Press, ao longo de 19 anos de carreira, Chauvin foi alvo de quase 20 queixas formais e duas cartas de reprimenda. A maioria foi arquivada. Ele e os outros três ex-agentes que participaram da ação que matou Floyd —e foram indiciados como cúmplices— devem ser julgados em março. Se for condenado, Chauvin pode pegar até 40 anos de prisão pelo homicídio.

Floyd, um ex-segurança de 1,93 m e pai de três filhos, foi abordado por quatro agentes depois de o atendente de uma loja acionar a polícia acusando-o de tentar utilizar uma nota falsa de US$ 20 (R$ 112, na cotação atual) para comprar cigarros.

O vendedor pediu o produto de volta, "mas ele não queria e estava sentado sobre o carro porque estava terrivelmente bêbado e não se controlava", disse o lojista, segundo transcrição do telefonema à polícia.

Os documentos de acusação dizem que os policiais encontraram Floyd em um carro azul estacionado, com dois passageiros. Logo chegaram unidades da polícia, e os policiais tentaram colocar Floyd em uma viatura, mas ele resistiu. "O senhor Floyd não entrou no carro voluntariamente e lutou com os policiais, caindo de propósito, dizendo que não ia entrar no carro e se recusando a ficar de pé", segundo a acusação.

Durante a abordagem policial, ele teve o pescoço prensado no chão por Chauvin, durante 8 minutos e 46 segundos. Pessoas que passavam na rua filmaram a cena, e um vídeo viralizou nas redes sociais.

Chauvin ignorou não só os avisos de Floyd de que não estava conseguindo respirar como os apelos das testemunhas, que apontavam uso excessivo de força. A frase dita por Floyd enquanto era imobilizado, "eu não consigo respirar", virou lema dos protestos que tomaram as ruas nos dias seguintes.

Floyd foi socorrido e morreu uma hora depois da abordagem, segundo os dados oficiais.

Os quatro policiais foram demitidos assim que o caso veio à tona e, até agora, Chauvin cumpria pena em um presídio de segurança máxima, enquanto os outros três agentes já haviam sido libertados sob fiança.

Em uma audiência em setembro, os réus disseram que usaram força de forma adequada, porque Floyd estava agindo de modo agressivo. As imagens da ação, no entanto, mostram que o ex-segurança estava dominado no chão e pedindo para ser liberado. Uma autópsia independente contratada pela família da vítima no início de junho atestou que a causa da morte foi por "asfixia mecânica".

O advogado de defesa, entretanto, argumenta que Floyd morreu devido a uma overdose do opioide Fentanyl combinada com uma doença cardíaca pré-existente.

George Floyd, 46, foi asfixiado e morto por um policial em Minneapolis, nos EUA
George Floyd, 46, foi asfixiado e morto por um policial em Minneapolis, nos EUA - Reprodução/Twitter

A morte do ex-segurança gerou uma onda de protestos que se espalhou por dezenas de cidades dos EUA e outras partes do mundo. Ele foi lembrado em atos na África, na Ásia, na Europa e também no Brasil.

Durante a primeira semana de manifestações, foram registrados incêndios em carros e prédios, saques e conflitos com policiais de costa a costa nos EUA, mas grande parte dos atos foi pacífica.

Em cidades europeias, o movimento deu origem a uma onda contra estátuas e outras homenagens a figuras históricas ligadas à escravidão. A morte de Floyd também levou departamentos de polícia de várias partes dos EUA a rever a forma de agir e a vetar o uso de estrangulamento durante abordagens.

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