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Ambiguidade dos EUA sobre Mianmar se reflete na cobertura jornalística

Nos dias após o golpe, NYT se dividiu entre questionar os generais ou a líder civil em prisão domiciliar

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São Paulo

Há cerca de uma semana, o governo americano decidiu chamar o golpe militar em Mianmar de "golpe". E o Facebook tirou do ar a página das forças armadas do país.

Na sequência, o governo militar tirou do ar o Facebook, por inteiro. E deu de ombros para os EUA.

Passada a semana, na chamada do New York Times, "Biden impõe sanções aos generais que organizaram o golpe", em sua primeira "ação concreta".

Manifestantes vestindo trajes tradicionais participam de uma manifestação contra o golpe militar no estado de Shan, em Mianmar
Manifestantes vestindo trajes tradicionais participam de uma manifestação contra o golpe militar no estado de Shan, em Mianmar - Calito - 11.fev.2021/AFP

Porém, do banimento na rede social aos enunciados ameaçadores na imprensa, nada era novo: o general agora presidente já havia perdido seu perfil no Facebook, quase três anos atrás; e os chefes militares já haviam sido sancionados por Donald Trump.

Joe Biden não admite publicamente, mas seus assessores, registrou o NYT, "reconhecem que precisam organizar a campanha de pressão de forma que não leve os generais ainda mais para os braços da China".

A ambiguidade de Washington se reflete na cobertura americana e ocidental.

Nos dias que se seguiram ao golpe, o mesmo NYT se dividiu entre questionar os generais ou a líder civil em prisão domiciliar, Aung San Suu Kyi. Sobre ela, foram publicados textos como "Em Mianmar, um culto à personalidade encontra a sua queda".

O outro gigante asiático com investimentos no país, o Japão, já sob pressão dos EUA para agir, vem acompanhando os acontecimentos com a mesma hesitação.

O financeiro Nikkei, no último fim de semana, noticiou que as "Fábricas japonesas voltam ao normal" em Mianmar e o "Japão busca diálogo com militares após golpe".

Jornal hoje controlado pelo mesmo Nikkei, o Financial Times explicitou em editorial que o Japão, "grande investidor em Mianmar, com empresas como Toyota e Mitsubishi", não deveria sair.

O resultado seria o governo militar "simplesmente procurar investimento noutro lugar".

Escrevendo no South China Morning Post e destacado no NYT, Kishore Mahbubani, analista e ex-diplomata de Singapura, sugere que a saída para Mianmar pode estar numa primeira colaboração entre Biden e Xi Jiping —que não quer confusão na vizinhança.

Mahbubani lembra que foi a rejeição e o isolamento de Aung San Suu Kyi pelos países ocidentais, imprensa inclusive, que encorajou os generais a derrubá-la.

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