Descrição de chapéu Coronavírus

Argentina bate recorde diário de casos de Covid e impõe novas restrições

Apenas trabalhadores essenciais usarão transporte público, e reuniões sociais estão suspensas

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Buenos Aires

No dia em que a Argentina registrou recorde de casos diários pelo coronavírus —22.039—, o presidente Alberto Fernández, que está infectado, anunciou a implementação de novas medidas sanitárias.

O país já ultrapassou a marca das 56 mil mortes, segundo dados da Universidade Johns Hopkins (EUA).

No jardim da residência de Olivos, onde está em isolamento e com sintomas leves, Fernández confirmou o que já vinha sendo dito por epidemiologistas: a Argentina enfrenta a segunda onda da pandemia.

Nas últimas semanas, foram detectadas no país algumas das variantes do vírus, como a de Manaus e a do Reino Unido. "Só nos últimos sete dias, os casos aumentaram 36% em todo o país e 53% na região metropolitana de Buenos Aires", disse ele.

O presidente da Argentina, Alberto Fernández, durante pronunciamento realizado no jardim da residência de Olivos
O presidente da Argentina, Alberto Fernández, durante pronunciamento realizado no jardim da residência de Olivos - Divulgação

O aumento da ocupação de leitos de UTI, que está numa média de 70%, tem alarmado médicos e cientistas, que pediram ao presidente uma política de confinamento. A oposição a Fernández, representada pelo PRO (Proposta Republicana), partido do ex-presidente Mauricio Macri, por outro lado, é contra a ideia de um novo lockdown, como imposto no ano passado.

Em reuniões tensas desde segunda-feira (5), autoridades nacionais, governadores e prefeitos chegaram a poucos acordos. O decreto de necessidade e urgência anunciado pelo presidente suspende a atividade de bares e restaurantes entre 23h e 6h.

Apenas trabalhadores essenciais podem circular neste período do dia, e o transporte público volta a ficar limitado a esse grupo, composto por pessoas da área da saúde, do comércio e da indústria de alimentos e de combustível, além de políticos, diplomatas e jornalistas.

As viagens em grupo também estão proibidas após uma série de casos de jovens contaminados em excursões de formatura para México e Bariloche. A Argentina já reduziu a entrada e a saída do país para apenas 2.000 pessoas por dia e suspendeu voos de e para Brasil, México, Chile e Reino Unido.

Entre as medidas estão ainda a proibição de atividades sociais em domicílios e em espaços públicos com até 20 pessoas. O funcionamento de cassinos, bingos, discotecas e salões de festas foi suspenso.

As medidas começam a valer na sexta (9) e vão até o fim de abril, a princípio. Fernández afirmou que a ideia é vacinar com mais rapidez até lá. Desde que as primeiras doses chegaram, porém, a campanha de imunização está sendo muito lenta. O país vacinou apenas 10 a cada 100 pessoas, segundo o site Our World in Data, da Universidade de Oxford —atrás, inclusive, do Brasil, que vacinou 12 a cada 100.

Ainda nesta quarta, um escândalo gerou polêmica no país, após uma fila para vacinação ser interrompida no estádio de La Plata para dar lugar a um jogo do River Plate. A Argentina está vacinando principalmente com o imunizante russo Sputnik V e adota também o da AstraZeneca e o da Sinopharm.

A escalada de casos no vizinho Uruguai também levou a um anúncio do presidente Luis Lacalle Pou nesta quarta. Ele disse que as variantes brasileiras estão circulando no país para além da região da fronteira e que, portanto, é necessário aumentar os cuidados. As UTIs uruguaias registram ocupação de 74%.

Lacalle Pou manteve a suspensão das aulas presenciais pelo menos até maio e pediu que as pessoas contem pelo menos duas semanas depois da segunda dose da vacina para relaxar as medidas de precaução. "A crença de que só a primeira dose funciona está ajudando na circulação do vírus", disse ele.

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