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Merenda indigesta

Operação Prato Feito investiga 65 contratos, que envolvem um total de R$ 1,6 bilhão

Policial carrega malote na sede da PF de São Paulo durante operação Prato Feito - Danilo Verpa/Folhapress

O esquema criminoso conhecido com máfia da merenda escolar, cuja atuação no estado de São Paulo já havia sido detectada ao final da década de 1990, sofreu um revés com a Operação Prato Feito, deflagrada pela Polícia Federal.

Com o objetivo de desbaratar o que considera ser uma trama de desvio de recursos públicos da área da educação, a instituição cumpriu 154 mandados de busca e apreensão em 50 cidades, a maioria paulistas. Distrito Federal, Paraná e Bahia também foram alvo das ações.

São 65 contratos sob suspeita, que envolvem um total de R$ 1,6 bilhão. Ao menos 85 pessoas estão sendo investigadas, entre elas 13 prefeitos e quatro ex-prefeitos.

Funcionários do setor público foram afastados de suas funções e suspenderam-se contratos firmados com 29 empresas acusadas de participarem das irregularidades.

De acordo com a polícia, os fraudadores abordavam as administrações municipais oferecendo recursos para campanhas em troca da terceirização da merenda escolar.

Fechados os acordos, organizava-se um cartel que fixava valores e distribuía os locais em que cada um sairia vencedor nas licitações. Cinco grupos criminosos estariam envolvidos no esquema, que também desviava recursos destinados a uniformes, material didático e serviços de limpeza.

Preso pela PF, o prefeito tucano de Mongaguá teve quantia equivalente a mais de R$ 5 milhões em espécie apreendida em sua casa. Seu advogado disse que parte da soma correspondia a caixa dois.

Além de municípios do interior, a investida da PF atingiu a cidade de São Paulo, onde levantaram-se indícios de problemas em contratos de 2011 e 2012, durante a gestão de Gilberto Kassab (PSD).

A Prato Feito é apenas a mais recente das operações policiais referentes à máfia da merenda. Antes dela, a Alba Branca, de 2016, havia investigado o pagamento de propinas a políticos por parte de uma cooperativa fornecedora.

Há poucos dias, o deputado estadual Fernando Capez (PSDB), ex-presidente da Assembleia Legislativa, tornou-se réu sob acusação de corrupção e lavagem de dinheiro.

Ainda que o esquema de fraudes pareça antigo e suprapartidário, é sem dúvida sobre os tucanos, à frente do estado há mais de duas décadas, que deve recair o maior desgaste em razão de mais esse escândalo deplorável.

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