Descrição de chapéu Opinião

Humberto Laudares: É hora de a nova geração tomar as rédeas da política

Falta à democracia brasileira se institucionalizar

 Praça dos Três Poderes, vista a partir do Palácio do Planalto
Praça dos Três Poderes, vista a partir do Palácio do Planalto - Pedro Ladeira - 11.mai.16/Folhapress

No Brasil, as gerações que estão no comando têm dificuldade de formar sucessores e lhes passar o bastão seguindo regras pré-acordadas e transparentes, seja no setor privado ou na política. Quem nunca viu uma empresa desmoronar após a morte de seu fundador? Ou um partido político que é refém de seus mandachuvas, até mesmo quando eles estão encarcerados?

Parece que temos, como sociedade, um problema muito grande em construir instituições duradouras —até porque as instituições são, por definição, maiores do que os indivíduos que as lideram.

Para elas funcionarem, há regras que garantam sua sobrevivência, independentemente de uma pessoa ou de outra. A literatura econômica mostra que instituições sólidas e inclusivas explicam, em grande medida, por que alguns países são mais desenvolvidos do que outros.

No setor privado brasileiro, 90% das empresas constituídas no país são familiares, segundo dados de 2016 do IBGE e do Sebrae. Elas representam cerca de 65% do PIB e empregam 75% da força de trabalho. Ao mesmo tempo, 30% das empresas familiares abertas e ativas sobrevivem à primeira sucessão; só 5% chegam à terceira geração.

A dificuldade na transição de uma geração a outra no comando das empresas familiares evidencia problemas recorrentes, tais como a falta de capacitação dos sucessores, a briga entre herdeiros, a centralização das decisões no fundador da empresa e a falta de planejamento para que se dê uma transição ordenada.

O que falta a essas empresas é, de fato, governança corporativa, que garante uma continuidade das atividades empresariais —não importando quem ocupa as cadeiras de comando— e prevê um planejamento sucessório em cargos de comando.

O que falta a essas empresas é se institucionalizar. E o que falta à democracia brasileira é também se institucionalizar.

Desde o início da República, em 1889, o Brasil mudou de regime político a cada 26 anos, em média. Isso significa que uma geração no poder nunca passou o bastão para outra num mesmo regime político. A taxa de transição geracional é zero.

É justamente esse o desafio atual. A classe política que comandou a redemocratização ainda domina os partidos políticos, encabeça as legendas para cargos executivos e, por sua vez, tem vários de seus representantes envolvidos nos escândalos de corrupção desvendados nos últimos anos.

Após 30 anos no poder, essa geração não foi capaz de formar sucessores ou passar o bastão para a nova geração.

Com a atual crise, a confiança na política colapsou. Oito de cada dez brasileiros dizem que querem renovação na política, segundo pesquisa do instituto Idea Big Data, mas ainda não sabem dizer o que seria a tal renovação ou quem a representa. Com a recente greve dos caminhoneiros, uma mensagem que emerge é, inclusive, de intervenção militar.

Vamos institucionalizar nossa democracia ou continuar as ondas de mudanças de regimes políticos a cada três décadas?

E, se formos seguir em frente com a democracia, não há outro caminho a trilhar que não seja o da renovação de ideias, práticas e pessoas, a começar pelo Congresso Nacional.

Sim, uma renovação geracional, que consiga contemplar uma mudança na forma como as instituições políticas funcionam para fortalecer a democracia.

Humberto Laudares

Líder dos movimentos Agora!, RenovaBR e Livres e pré-candidato a deputado federal pelo PPS (SP)

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