Descrição de chapéu Opinião Sérgio Sá Leitão

Economia criativa gera desenvolvimento

Cultura deve ser tratada com a devida importância

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, em evento no Rio, em setembro - Ricardo Borges - 20.set.18/Folhapress
Sérgio Sá Leitão

As atividades culturais e criativas são vocações da sociedade brasileira e constituem um setor dinâmico da economia e da vida social do país. Apresentam elevado impacto sobre a geração de renda, emprego, exportação, valor agregado e arrecadação de impostos. Têm ainda uma influência crescente no dia a dia dos cidadãos, contribuindo decisivamente para sua formação e qualificação, o reforço dos elos identitários e a construção de uma imagem positiva do Brasil. Produzem ativos com duplo benefício: econômico e social.

São vitais também para o crescimento de outros setores, como o turismo, a tecnologia e as telecomunicações. Constituem, portanto, um vetor de promoção de desenvolvimento, para o qual o Brasil demonstra imenso potencial.

O país tem poucos competidores em termos de intensidade e diversidade culturais. Reúne, portanto, todas as condições para se tornar uma das maiores potências culturais e criativas do mundo no século 21. Para isso, devem-se aproveitar melhor e rentabilizar ainda mais seus inúmeros ativos nesta área.

Apesar da relevância do setor e do sentido estratégico da política pública de cultura, o tema foi poucas vezes abordado na campanha eleitoral. É sintoma de algo maior. Boa parte da sociedade ainda não vê essa relevância. Não entende o fomento público à cultura como investimento de alto retorno (em vez de gasto). Desconhece os números que atestam o excelente desempenho da economia criativa brasileira e tende a tratá-la como secundária.

Nos últimos dois anos, o Ministério da Cultura procurou fazer a sua parte, adotando como eixo central de atuação o reconhecimento, a valorização e o estímulo à dimensão econômica das atividades culturais e criativas, procurando evidenciar e aprofundar as contribuições do setor para o nosso desenvolvimento.

Sem deixar de lado as demais dimensões, sobretudo no que diz respeito à preservação e à revitalização do patrimônio cultural, material e imaterial; e à ampliação do grau de acesso a bens e serviços culturais.

Diversos programas e ações foram criados ou aperfeiçoados para dar uma consequência prática a essa decisão. E a dimensão econômica foi incluída em todas as iniciativas. Nada mais natural, considerando que as atividades culturais e criativas geram 2,64% do PIB brasileiro e são responsáveis por mais de um milhão de empregos formais diretos, segundo estudo da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro.

Há no setor cerca de 250 mil empresas e instituições. E um imenso potencial de crescimento, que pode ser maximizado. Nos últimos cinco anos, a taxa média de crescimento foi de 9,1% ao ano.

O MinC cumpre hoje papel significativo no estímulo ao crescimento da economia criativa e à valorização e preservação do patrimônio cultural, assim como na ampliação do acesso a bens e serviços culturais e criativos. A missão, a visão e as diretrizes definidas no planejamento feito no início desta gestão efetivamente se materializaram ao longo de 2017 e 2018, constituindo um acervo expressivo de realizações, com absoluto zelo pela coisa pública. Vamos entregar ao novo governo um MinC mais estruturado e mais eficiente e eficaz. O passivo foi reduzido. A gestão, aperfeiçoada. O diálogo, ampliado. E os resultados, elevados.

Este trabalho deve ser mantido e aprofundado, de modo a potencializar a política cultural, estimular o crescimento da economia criativa brasileira, valorizar e preservar o nosso patrimônio e expandir o mercado, contribuindo ainda mais para o desenvolvimento do país.

Não podemos nos dar ao luxo de desperdiçar esta vocação. Trata-se de um diferencial competitivo do Brasil, convergente com as características do capitalismo pós-industrial do século 21 e da revolução digital. Torço para que o novo governo trate o tema à altura de sua importância.

Sérgio Sá Leitão

Ministro da Cultura, ex-diretor da Ancine (Agência Nacional do Cinema) e indicado por João Doria para a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo

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