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José Henrique Germann Ferreira e Dimas Tadeu Covas

Gripe: tem que vacinar!

Não acredite em fake news; vacinação é conquista da ciência

Menina é vacinada contra a gripe em colégio de São Paulo - Karime Xavier - 14.jun.18/Folhapress
José Henrique Germann Ferreira Dimas Tadeu Covas

Em época de fake news, multiplicam-se mundialmente mensagens disseminadas por grupos antivacinas, via redes sociais, e sem qualquer embasamento científico, contrários à prevenção de doenças por meio de imunização.

Isso, evidentemente, não tem o menor cabimento. Além de ser um grande desserviço, esse tipo de movimento pode colocar em risco a saúde da população e até mesmo contribuir para o retorno de doenças já erradicadas ou controladas.

No Brasil, por exemplo, foi por meio de grandes campanhas de vacinação que enfermidades como varíola e paralisia infantil deixaram de atingir nossa população. As vacinas são uma conquista da ciência e aliadas na promoção da saúde e prevenção de doenças e de epidemias.

Nesse sentido, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, criado em 1973, é considerado referência mundial em política de saúde pública, atuando no sentido de introduzir novos imunobiológicos ao calendário do SUS e para ampliar a cobertura vacinal dos brasileiros. 

No último dia 10 de abril teve início a campanha de vacinação contra o vírus Influenza, causador da gripe. É fundamental que todos aqueles incluídos entre o grupo alvo da campanha compareçam aos postos de saúde para receberem a dose da vacina, protegendo-se, desta forma, de complicações pela infecção do vírus, tais como pneumonias, otites e sinusites. 

Até o dia 31 de maio devem ser imunizados gestantes, puérperas (mulheres que deram à luz nos últimos 45 dias), crianças maiores de seis meses, idosos a partir dos 60 anos de idade, profissionais de saúde, indígenas, professores e portadores de doenças crônicas, como asma, diabetes e imunodeprimidos, entre outros. 

No estado de São Paulo, a expectativa é imunizar 13,2 milhões de pessoas, das quais 4,9 milhões de idosos, 3 milhões de crianças, 1,3 milhão de profissionais de saúde, 451 mil gestantes e 74 mil puérperas. Foram mobilizados para a campanha, em parceria com os municípios paulistas, 39 mil profissionais de saúde, e disponibilizados 11,4 mil postos de vacinação, entre fixos e volantes. Ainda estamos longe de atingir a nossa meta de vacinados e é importante uma grande mobilização nesta reta final de campanha.

O Instituto Butantan, unidade vinculada à Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, tem papel relevante no Programa Nacional de Imunizações. Como um dos maiores centros produtores de imunobiológicos do mundo, produz metade dos soros e vacinas distribuídas na rede pública de todo o Brasil.

O Butantan é responsável pela produção da vacina contra o vírus Influenza, utilizado na campanha nacional. Neste ano, o Instituto disponibilizou para o Ministério da Saúde 64 milhões de doses do imunobiológico. Trata-se de uma vacina extremamente eficaz e segura, que protege contra os três tipos de vírus da gripe mais prevalentes em circulação no país: A (H1N1), A (H3N2) e B.

Nos primeiros cem dias de nova gestão, o governo do estado de São Paulo entregou a ampliação e a modernização da fábrica de vacina contra a gripe do Butantan, que passa a ser a maior do hemisfério Sul, com capacidade instalada para a produção de 140 milhões de doses anuais.

É importante ressaltar que a vacina contra o Influenza é produzida com o vírus inativado, ou seja, capaz de elevar os anticorpos que protegem o organismo das pessoas sem, no entanto, causar gripe, de maneira nenhuma.

O estado de São Paulo está mobilizado para imunizar os brasileiros que aqui vivem. Se você se enquadra em um dos grupos que constituem o público-alvo da campanha, não espere. Tome a vacina e proteja-se contra as complicações da gripe.

José Henrique Germann Ferreira

Secretário da Saúde do estado de São Paulo

Dimas Tadeu Covas

Médico, cientista da USP e diretor do Instituto Butantan

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