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Vijay Rangarajan

Reino Unido na vanguarda do combate global às mudanças climáticas

Bolsa de Londres passa a oferecer títulos para a produção sustentável de soja no Brasil

Vijay Rangarajan

Neste mês, foi anunciada na Bolsa de Valores de Londres a primeira linha de crédito do mundo a oferecer títulos verdes para a produção sustentável de soja no Brasil no valor de US$ 1 bilhão, cerca de R$ 3,8 bilhões.

A meu ver, o anúncio exemplifica três tendências importantes: a primeira é que enfrentar as mudanças climáticas exige uma forma fundamentalmente diferente de administrarmos nossas economias e apoiarmos nossas indústrias; a segunda é que, com isso, existem novas e enormes oportunidades para fazer a economia crescer de forma sustentável; e, finalmente, que Brasil e Reino Unido podem aprofundar o trabalho conjunto de transição para economias de baixo carbono.

Desde 2008, quando o Reino Unido foi o primeiro país a estabelecer por lei uma meta de longo prazo para redução de emissões, temos provado que é possível mitigar a mudança do clima e crescer economicamente. Nos últimos 30 anos, reduzimos nossas emissões em mais de 40%, enquanto nossa economia cresceu em dois terços no mesmo período.

O desafio de descarbonização é enorme e algumas indústrias terão de se reinventar, enquanto outras ainda deverão ser criadas. Emissões que não possam ser mitigadas terão de ser compensadas por atividades como restauração florestal. Calcula-se que 1,2 trilhão de novas árvores precisariam ser plantadas para conter o aquecimento global —um número quatro vezes maior do que a totalidade de árvores da floresta Amazônica.

Colheita de soja em fazenda em Tangará da Serra, no Mato Grosso
Colheita de soja em fazenda em Tangará da Serra, no Mato Grosso - Marcelo Justo - 27.mar.12/Folhapress

No entanto, os benefícios serão ainda maiores. Além de uma melhoria significativa da qualidade de vida da população, a transição para uma economia zero carbono apresenta inúmeras oportunidades. O setor de economia limpa do Reino Unido já emprega mais de 400 mil pessoas e está crescendo mais rápido que nosso PIB; e os setores de tecnologias de baixo carbono e energia limpa contribuem para a economia com £ 44,5 bilhões anualmente.

Internacionalmente nos comprometemos a fornecer cerca de £ 6 bilhões em financiamento climático entre 2016 e 2021. O Brasil é um dos nossos parceiros mais importantes.

Hoje, investimos no país cerca de £ 200 milhões em projetos que incluem: o apoio a pequenos produtores rurais para aumentarem sua produtividade por meio de tecnologias de baixo carbono; a aceleração de negócios sustentáveis da economia florestal, incentivando o empreendedorismo e a exploração sustentável da biodiversidade; o desenvolvimento de planos de ação climática e adoção de tecnologias inovadoras por cidades brasileiras; além do compartilhamento da nossa expertise em financiamento verde para atrair financiamento privado para os necessários projetos de infraestrutura de baixo carbono no Brasil.

Séculos atrás, o Reino Unido foi pioneiro na Revolução Industrial e, hoje, temos a ambição de liderar a transição para uma economia limpa. A nossa estratégia industrial e de crescimento limpo e nossa intenção de sediar a Conferência da ONU sobre Mudança do Clima de 2020, em parceria com a Itália, demonstram nosso comprometimento em trabalhar com todos os parceiros internacionais para enfrentarmos este que é o maior desafio dos nossos tempos. Temos que agir rápido para assegurarmos um meio ambiente equilibrado para as atuais e futuras gerações.

Não será fácil e há muito o que fazer, mas, se não investirmos agora, os custos de responder às mudanças do clima serão mais altos no futuro. Com isso em mente, anunciamos recentemente uma meta audaciosa: a de que o Reino Unido irá zerar suas emissões líquidas de carbono até 2050.

Esta meta representa um dos compromissos climáticos mais ambiciosos já apresentados por uma grande economia. De fato, o Reino Unido foi o primeiro país do G-7 a estabelecer uma meta legalmente vinculante para zerar suas emissões de gases de efeito estufa até o meio do século. É uma meta ambiciosa, porém realizável. Esperamos que mais países possam se juntar a nós para demonstrar esse mesmo nível de ambição.

Vijay Rangarajan

Mestre em matemática e doutor em astrofísica pela Universidade Cambridge, é embaixador do Reino Unido no Brasil

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