Nos EUA, Meirelles diz que decisão sobre candidatura sairá até o fim do mês

Ministro da Fazenda afirmou que partido dependerá de alinhamento com visão de modernização do país

Silas Martí
Nova York

Em visita oficial a Nova York, onde se encontra com investidores, Henrique Meirelles diz que tomará até o final do mês uma decisão sobre sua candidatura ao Planalto e que a escolha do partido vai depender de seu alinhamento com sua “visão de modernização do país” —ele vai decidir entre seu partido, o PSD, e o governista MDB.

O ministro da Fazenda também disse que a quebra do sigilo bancário do presidente Michel Temer determinada nesta semana não cria embaraços numa eventual campanha pelo MDB por ser “parte normal de uma investigação que será esclarecida”.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, durante evento em Brasília; ele usa óculos e coça a cabeça
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, durante evento em Brasília - Adriano Machado - 19.fev.2018/Reuters

Ele também disse não ver como possibilidade a formação de chapa com o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, que esteve em Washington anunciando sua campanha, e que é normal que haja mais de um candidato do centro.

“Não cogito uma aliança, não houve nenhuma conversa entre o governador e eu, nem entre os partidos”, disse. “Alguém pensou que isso poderia ser uma boa ideia, mas ninguém falou comigo nem com ele. Esse assunto não está em consideração.”

Na saída de um encontro fechado no Council of the Americas, um think-tank em Manhattan, ele disse que investidores na plateia manifestaram interesse por sua candidatura e preocupação com os rumos das reformas econômicas agora em curso.

“Existe um interesse sobre as eleições e uma preocupação de que a política econômica atual seja mantida”, disse. “Houve uma preocupação sobre a possibilidade de uma volta atrás. Disse que acho isso pouco provável porque o Brasil já experimentou políticas alternativas que deram errado nesses últimos anos.”

Meirelles disse ainda que mesmo que não seja candidato, ele já está implementando medidas que deverão ser seguidas pelo próximo presidente para manter o crescimento econômico do Brasil, e que há grandes chances de um candidato reformista ser eleito agora ao Planalto.

Também disse não se preocupar com o desempenho pífio em pesquisas eleitorais neste momento, já que o que importa é uma análise qualitativa sobre o candidato.

Meirelles disse ainda que mesmo que não seja candidato, ele já está implementando medidas que deverão ser seguidas pelo próximo presidente para manter o crescimento econômico do Brasil.

“Estou implantando uma política econômica nova. É uma plataforma de reformas, não é apenas a questão fiscal. Tem a reforma trabalhista, mudando relações históricas, permitindo a criação de empregos nos próximos anos. Toda a agenda de reformas é extensa e é um programa de governo”, disse o ministro.

ÓTIMO PRESIDENTE

Na saída do encontro, o ministro do Planejamento, Dyogo Henrique de Oliveira, que acompanha Meirelles em Nova York, disse que o atual titular da Fazenda seria um “ótimo presidente”, mas não quis comentar sua possível ida para a pasta que ficaria vaga com a sua candidatura.

Oliveira disse que Meirelles “tem experiência, tem conhecimento, contribuiu de maneira decisiva para a recuperação da economia brasileira” e que a decisão sobre seu eventual substituto cabe ao presidente Michel Temer.

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