Descrição de chapéu Eleições 2018

Ciro diz que substituto de Lula talvez não tenha 'treinamento necessário'

Sem citar Haddad, candidato diz que petistas exploram a boa vontade do povo ao insistir em candidatura

O presidenciável Ciro Gomes (PDT), em evento em São Paulo, na semana passada
O presidenciável Ciro Gomes (PDT), em evento em São Paulo, na semana passada - Marlene Bergamo - 9.ago.18/Folhapress
Gustavo Uribe
Brasília

O candidato do PDT, Ciro Gomes, acusou nesta sexta-feira (17) o PT de explorar a boa vontade da população brasileira ao insistir no discurso de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva será candidato neste ano ao Palácio do Planalto.

"A burocracia do PT tenta explorar a justa gratidão de muita gente com o Lula, inventando que ele é candidato só para explorar a boa vontade do povo, que terá amanhã uma grande decepção, porque todas as pedras no caminho sabem que não vão permitir que ele seja candidato", disse.

Em entrevista à rádio baiana Metrópole, ele afirmou que talvez o nome que substituirá o petista "não seja a pessoa que tenha mais o treinamento necessário", apesar de ser "boa gente". Ele não citou nomes, mas o escolhido pelo partido é o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

"Vão querer fazer uma indicação de uma pessoa na última hora que talvez não seja a pessoa que tenha mais o treinamento necessário, apesar de ser boa gente se forem verdadeiras as especulações", afirmou.

No início da semana, Ciro disse que o PT é seu adversário e se posicionou contra a presença de Haddad no debate televisivo marcado para a noite desta sexta-feira (17) na RedeTV!, apesar de o petista ter cobrado publicamente o seu apoio.

Em outra crítica indireta, desta vez a Jair Bolsonaro (PSL), o candidato a presidente criticou o extremismo e o radicalismo na política e disse que ele faz bem ao fígado em um primeiro momento, mas depois traz decepções aos eleitores.

"Extremismo, radicalismo e solução ligeira a golpe de frase feita faz bem ao fígado, mas, no dia seguinte, vira decepção", afirmou.

Ele considerou justo que a população brasileira esteja aborrecida e indignada diante da crise econômica e do aumento do desemprego, mas defendeu que o momento exige ponderação na escolha do candidato a presidente.

"Eu tenho pedido ao povo que se dê um tempo, porque é uma decisão que não se toma com cabeça de quente", disse.

Criticado pelo estilo verborrágico, Ciro disse que, aos 60 anos, não irá mudar, mas que está mais "maduro" e "sereno". Para ele, o país não precisa de um presidente "enrolão" e "frouxo".

"Sou de fato uma pessoa enérgica. Eu cultivo a ordem e a autoridade, dentro das leis, mas acho que o Brasil vive uma crise de autoridade muito séria", afirmou.

Em 2002, quando foi candidato a presidente pela segunda vez, Ciro concedeu entrevista à mesma rádio, na qual chamou um eleitor de burro. O episódio foi explorado pelos seus adversários, o que o levou a dizer que estava arrependido.

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