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Boulos critica 'beija-mão' de Haddad a caciques do MDB e diz que é 'caso de masoquismo'

Em sabatina, candidato do PSOL também afirmou que Alckmin e Temer devem estar no mesmo grupo de 'zap'

Guilherme Boulos, candidato à presidência pelo PSOL participa de sabatina promovida por Folha, UOL e SBT
Guilherme Boulos, candidato à presidência pelo PSOL participa de sabatina promovida por Folha, UOL e SBT - Lucas Lima/UOL
Artur Rodrigues
São Paulo

O candidato a presidente da República pelo PSOL, Guilherme Boulos, afirmou nesta quinta-feira (6) que a relação entre PT e MDB é caso de divã e masoquismo, ao citar encontros do provável presidenciável petista Fernando Haddad com emedebistas. 

A afirmação foi feita durante sabatina promovida numa parceria pelo UOL, Folha e SBT. A sabatina ocorreu de manhã, antes de atentado ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). 

"É lamentável a gente ver, como vi na semana passada, Fernando Haddad ir lá fazer fazer beija mão para o Eunício [Oliveira, do MDB] e para o Renan [Calheiros, do MDB] depois de tudo que aconteceu. Parece que a relação PT e MDB virou caso de divã, caso de masoquismo", disse Boulos. 

Ele criticou Lula por não ter feito uma reforma política e ter governado com os mesmos de sempre. "O Jucá é líder de governo desde Dom Pedro I", disse. 

O presidenciável do PSOL também classificou críticas feitas ao reitor da UFRJ Roberto Leher na administração do Museu Nacional, que pegou fogo, como "desleais e cretinas" e que foram feitas por "setores políticos que tem cinzas do museu nas mãos". Leher é filiado ao PSOL.

"Querer responsabilizar a gestão da reitoria pela situação museu é inadmissível. Saiu no próprio dia uma declaração do reitor. Ele estava pleiteando uma linha de financiamento no BNDES para poder fazer a gestão do museu", disse. 

Questionado se concordaria em receber recursos da iniciativa privada, Boulos disse que não há problemas desde que seja uma doação feita de forma clara e não em troca de vantagens.  

O líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) ironizou a tensão entre o presidente Michel Temer (MDB) e Geraldo Alckmin (PSDB). "Tem uma frase do Orestes Quércia que é briga de compadre sempre sai muitas verdades", disse. "Ali é a turma do compadrio. Deve estar tudo no mesmo grupo de 'zap'". 

Ele disse que a eleição é imprevisível, mas que acredita que a oposição a Temer estará no segundo turno. 

Boulos afirmou que sua candidatura, hoje com 1% das preferências de voto, é uma semente para um projeto de futuro. Em caso de ser eleito, disse que chamaria a população para pressionar o Congresso a apoiar reformas profundas, como a tributária. 

"Não vou negociar por exemplo direito das mulheres com a bancada fundamentalista. Sou daqueles que acredita que princípio não se negocia", disse. 

O candidato do PSOL definiu o corte de privilégios como sua principal plataforma. "Nós vamos enfrentar privilégio, por exemplo, fazendo com que rico comece a pagar imposto. Porque hoje quem tem um carro paga IPVA, quem tem um jatinho, um helicóptero não paga um real. Se tem alguém que está nos assistindo que tem um jatinho, não vote em mim". 

Boulos defendeu a legalização da maconha e a descriminalização das demais drogas. Segundo ele, a política de drogas só serviu "pra matar jovem negro na periferia". 

Outra ideia lançada pelo candidato foi a criação de uma lista suja do machismo, para que empregadores que paguem menos para mulheres nas mesmas funções sejam punidos.

Veja abaixo os principais tópicos da sabatina:

RELAÇÃO DO PT E MDB

Tenho críticas fortes à política que foi aplicada pelo PT, inclusive pelo Lula. Posso citar uma aqui, que foi não ter feito uma reforma política profunda. Ter topado governar com os mesmos de sempre. Com Renan, com Jucá, com toda essa turma. O Jucá é líder de governo desde Dom Pedro I. É lamentável a gente ver, como vi na semana passada, Fernando Haddad ir lá fazer fazer beija mão para o Eunício [Oliveira, do MDB] e para o Renan [Calheiros, do MDB] depois de tudo que aconteceu. Parece que a relação PT e MDB virou caso de divã, caso de masoquismo. Não é possível, depois de ser golpeado, depois de tudo isso, recompor com essa turma e estar no mesmo palanque.

ALCKMIN E TEMER

Está em aberto o cenário para o segundo turno. O que eu acredito firmemente é que a oposição ao segundo turno vai estar no segundo turno. Nós sabemos quem são os 50 tons de Temer. Ontem o [presidente Michel] Temer deixou claro que essas oposições são fakes [diz se referindo a vídeo do presidente direcionado a Geraldo Alckmin]. Como já disse o Orestes Quércia, em briga de compadre sempre sai verdade. Ali é a turma do compadrio. Como diz meu amigo Tarcísio Motta, candidato ao governo do Rio de Janeiro, deve estar tudo no mesmo grupo de 'zap'. Eu não estou nesse grupo de 'zap'. 

INCÊNDIO DO MUSEU NACIONAL

Vamos desfazer mito. Foi um bombardeiro contra o Roberto Leher , do PSOL [ reitor da UFRJ, que administra o museu nacional], da maneira desleal e cretina, feita por vários setores. Aliás, setores políticos que têm cinzas do museu nas mãos e que querem fugir da sua responsabilidade. Não foi o PSOL que ajudou a aprovar a PEC do teto de gastos que congela investimentos por 20 anos.  O que a gente não pode admitir é gente hipócrita como o seu Geraldo Alckmin, a sua vice Ana Amélia, o seu Jair Bolsonaro acusarem o PSOL, sendo que são eles os responsáveis pelo desmonte do patrimônio público e das universidades federais do Brasil. O orçamento da UFRJ de 2017 para 2018 caiu 13%. Se coloque no lugar de um reitor ou a reitora de uma universidade federal no Brasil, administrando o caos. Saiu no próprio dia uma declaração do reitor. Ele estava pleiteando uma linha de financiamento do BNDES para poder fazer a gestão do museu. 

LISTA SUJA DO MACHISMO

Lamentavelmente, o Brasil é um país machista e aproveito aqui para colocar uma proposta. É a proposta da lista suja do machismo. Tem candidato, o seu Jair Bolsonaro, que defende que é natural que mulher ganhe menos que homem, que isso é coisa da iniciativa privada, que governo não tem a ver com isso. No meu governo, empresa que pagar menos para mulher vai para lista suja do machismo. Não vai poder ter crédito público, nenhuma contratação e vai ter seu nome exposto em praça pública. 

TAXAR RICOS

Um milhão de vagas na universidade pública custa R$ 50 bilhões ao ano. Só a tributação de lucro e dividendo renderia ao país algo em torno de R$ 60 bilhões ao ano. Vamos taxar rico, vamos fazer com que rico comece a pagar imposto no país e acabar com esse Robin Hood ao contrário, que é o Estado brasileiro, que tira do pobre e da classe média, que é quem paga imposto de verdade. Vamos fazer uma reforma tributária nesse país. Vamos tributar lucro e dividendo, vamos taxar grandes fortunas, vamos aumentar a alíquota sobre grandes heranças. Isso, junto com outras medidas, como mexer no bolsa empresário e bolsa banqueiro, vai permitir um amplo plano de investimento social, inclusive tirando as universidades públicas do buraco. 

EXPORTAÇÕES

Hoje o papel de produtos primários, agrícolas e minérios é mais forte na economia brasileira do que era 30 ou 40 anos atrás. Uma desindustrialização do país. O Brasil não tem que ser exportador de soja e de minério de ferro. O Brasil tem potencial de gerar valor agregado aqui. Porque quando se vira exportador de matéria prima o emprego é gerado lá fora, como no tempo de colônica, que se exportava açúcar e importava açúcar refinado. Para o Brasil se inserir nas cadeias produtivas internacionais de uma maneira soberana, tem que ter investimento em ciência, tecnologia e inovação 

CLÁUSULA DE BARREIRA

O PSOL vai superar a cláusula de barreira. O PSOL tem sim um projeto para apresentar ao Brasil. E parte desse projeto é a renovação do parlamento. Nossa expectativa é dobrar a bancada. Estamos apresentando nomes extremamente qualificados, que apresentam a renovação. 

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