Descrição de chapéu Eleições 2018

Marina Silva chama vice de Bolsonaro de insensível e critica fala de Haddad

Presidenciável desautorizou gesto de candidato da Rede em PE que recebeu apoio de bolsonaristas

Joelmir Tavares
São Paulo

Marina Silva (Rede) aproveitou evento de campanha nesta terça-feira (18) em São Paulo para contar que será avó e saiu em defesa das avós e mães mencionadas nesta segunda (17) pelo candidato a vice de Jair Bolsonaro (PSL), o general da reserva Hamilton Mourão (PRTB).

A presidenciável da Rede —que ganhará da filha mais velha, Shalon, o primeiro neto— disse que o militar age com insensibilidade ao falar que casa só com "mãe e avó" é "fábrica de desajustados" que fornece mão de obra para o tráfico.

Marina Silva (Rede) durante campanha no Centro de Parto Humanizado Casa Angela (zona sul de São Paulo) - Andre Penner/AP

Ela, que já havia classificado a declaração como uma afronta, ironizou nova fala de Mourão nesta terça, após a controvérsia (ele alegou que seu comentário foi apenas uma constatação).

"Não sei de onde ele constatou isso e de onde ele tira tanta insensibilidade e desrespeito", rebateu a ex-senadora, que nesta eleição busca dialogar com o eleitorado feminino para atrair votos.

Marina elogiou o papel das "mães trabalhadoras, corajosas, batalhadoras" e das "avós que se transformam em verdadeiras gigantes para cuidar de suas famílias".

"[A manifestação de Mourão] é falta de sensibilidade, falta de respeito. Eu não tenho outra palavra. Isso merece todo o repúdio. Eu fui criada pela minha avó. Aprendi boa parte dos valores com ela", disse a candidata.

A ex-ministra reforçou ainda que a Rede "não tem nenhum compromisso com os ideais de Bolsonaro" e que desautoriza "toda e qualquer articulação que possa no mínimo flertar com esse tipo de postura autoritária e antidemocrática".

Foi uma resposta dela ao candidato do partido ao governo de Pernambuco, Julio Lóssio, que recebeu apoio de lideranças locais alinhadas ao adversário da sigla na corrida ao Planalto.

Dirigentes da Rede no estado renunciaram aos cargos após a decisão do postulante ao governo. Lóssio disse que continua defendendo a campanha de Marina, mesmo tendo o apoio de correligionários do deputado. 

"Não é uma aliança. [Ele] recebeu apoio", afirmou a presidenciável. "Mas nós não temos nenhuma vinculação e não autorizamos qualquer relação com os ideais de Bolsonaro."

Ainda no evento, a ex-senadora disse que a sinalização de que PT e PSDB podem dialogar durante o próximo governo é o indicativo de um acordo para deter a Operação Lava Jato.

"Com certeza o assunto deve ser que quem ganhar, sendo um deles, vão combater a ferro e fogo a Lava Jato. É isso que eles querem conversar e é isso que eles têm conversado por debaixo do pano", afirmou ela.

A presidenciável fazia alusão à fala do candidato do PT, Fernando Haddad, de que defenderá, caso eleito, uma conversa permanente com o PSDB. Segundo ele, a intenção será "fortalecer a democracia".

"PT e PSDB nunca conversaram para discutir os problemas da saúde, da segurança pública, da situação de sofrimento que a população está vivendo. Por que agora conversar?", criticou Marina.

A candidata repetiu o discurso que usa para se diferenciar das duas siglas: "Aqueles que criaram o problema não têm a menor condição de resolvê-lo".

NOVO PROGRAMA

Marina fez agenda de campanha no Centro de Parto Humanizado Casa Angela (zona sul de São Paulo). Ela usou o evento para divulgar seu plano de governo, que incentiva o atendimento de saúde humanizado e estimula o parto natural.

A presidenciável também anunciou o programa Vida Digna, que reúne medidas já previstas em seu programa de prioridades, mas agora organizadas em um pacote direcionado para crianças e mulheres.

Divididas em dois eixos, as propostas incluem, no campo da saúde, a reestruturação do SUS, com a criação de 400 regiões administrativas, e, na área da educação, a ampliação da rede de creches e o reforço da educação em tempo integral.

"Outro aspecto é o de apoio às mulheres propriamente ditas", explicou a candidata. "Quando se tem uma boa creche, uma boa escola [para os filhos], as mulheres já estão sendo bem atendidas. Mas elas precisam também de políticas que combatam preconceito e discriminação, oportunidade de ter uma formação profissionalizante e que elas possam ter acesso aos meios para fazer seus investimentos."

Marina ouviu pacientes e funcionários da maternidade, que possui seis leitos e atende de graça via SUS. Gestantes em situação de risco e com condição social vulnerável são o público-alvo da organização.

A ex-senadora circulou com seu vice, o ex-deputado e médico Eduardo Jorge, e com candidatos da Rede para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados. Assessores também acompanharam a visita. Não havia militantes da campanha nem dentro nem fora do local.

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