Descrição de chapéu Eleições 2018

Bolsonaro deve participar de cúpula de ultradireita

O ideólogo do grupo é Steve Bannon, que foi conselheiro de Donald Trump

Clóvis Rossi
São Paulo

Jair Bolsonaro deverá ser convidado para participar da primeira reunião de cúpula do ”Movimento", grupo da ultradireita nacionalista e populista em construção na Europa.

O candidato do PSL Jair Bolsonaro
O candidato do PSL Jair Bolsonaro - Mauro Pimentel - 7.out.18/AFP

O ideólogo do grupo é Steve Bannon, que foi conselheiro de Donald Trump durante a campanha eleitoral e seu assessor nos primeiros meses de governo, até ser defenestrado. Bannon já se encontrou com um dos filhos de Bolsonaro, em Nova York.

A possibilidade de convite a Bolsonaro foi anunciada ao site EU Observer por Mischael Modrikamen, um dos líderes do Partido Popular belga, de extrema direita.

Modrikamen disse também que a intenção do ”Movimento” é fazer a cúpula inaugural em meados de janeiro em Bruxelas. Os organizadores esperam atrair membros da administração Trump e representantes do Tea Party, o grupo mais à direita do Partido Republicano.

”Quando fizermos a cúpula, teremos 20 ou 25 ou 30 grupos, movimentos, partidos da Europa ou, talvez, de outras partes do mundo, com um ou dois representantes, e talvez um ou dois presidentes honorários", disse o político belga ao site especializado em notícias da União Europeia.

Já se alistou no "Movimento” Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro italiano e também ministro do Interior. Salvini é o líder da Liga (antes chamada Liga Norte), grupo de ultradireita, cuja principal bandeira é repudiar os imigrantes.

Salvini aliou-se a outro grupo populista, o Movimento 5 Estrelas, mais à esquerda, para poder formar governo na Itália, depois que as eleições de março não produziram um ganhador com maioria suficiente para governar.

Outra figura com perfil semelhante que está na lista de eventuais convidados é Nicolas Dupont-Aignan, presidente do grupo de ultradireita Debout la France (A França de Pé).

O partido Democratas Suecos também será chamado. É outra agrupação de ultradireita que fez relativo sucesso nas eleições de setembro, com 17,5% dos votos, seu melhor desempenho, tornando-se o terceiro maior grupo no Riksdag, o Parlamento sueco.

A lista de aderentes ou possíveis aderentes ao ”Movimento” indica claramente sua inclinação à extrema direita. Mas a lista de adversários ou inimigos talvez seja mais eloquente: Modrikamen aponta como o exemplo contrário ao seu grupo o Fórum Econômico Mundial, que se reúne todo janeiro em Davos, na Suíça. Davos é uma espécie de concentração dos partidários da globalização, ao contrário do ”Movimento", que se diz ”soberanista”, uma maneira de evitar o rótulo de nacionalista nem sempre bem aceito na Europa.

”Pretendemos construir uma plataforma alternativa aos soberanistas", deixa claro Modrikamen.

Outro adversário na mira dos companheiros de Bannon - e eventuais futuros companheiros de Bolsonaro - é o megainvestidor George Soros. Esse filantropo de origem húngara, nacionalizado americano, comanda a Open Society Foundation, uma ONG cujo papel é definido como ajudar a construir ”democracias vibrantes e tolerantes".

Soros entrou em curso de colisão com o atual primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, tão contraliberal que está sendo ameaçado de punição pela União Europeia, exatamente por ter tomado medidas que minam fundamentos da democracia.

A lista de amigos e inimigos do ”Movimento” define bem a característica do grupo a que se ligará Bolsonaro, se receber de fato e aceitar o convite antecipado por Modrikamen.

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