Não é verdade que Bolsonaro propôs mudar representação de N. Sra. Aparecida

Outra versão falsa do boato afirma que candidato apoiou projeto de lei que propunha mudança no termo 'padroeira do Brasil'

Diana Lott Sarah Mota Resende
São Paulo

É falsa imagem que circula nas redes de suposta notícia da Folha que relata uma proposta do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) para mudar o tom de pele da imagem de Nossa Senhora Aparecida, a santa da igreja católica considerada a padroeira do Brasil.

Segundo o texto, a ideia teria sido discutida em reunião com o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da TV Record. Em setembro, Macedo anunciou apoio a Bolsonaro

A santa, em sua representação tradicional, tem a pele negra. A mensagem falsa compartilhada nas redes sugere que o presidenciável adotaria uma nova imagem, de pele branca.​

Imagem mostra suposta notícia da Folha com o título "Encontro de Bolsonaro com bispo Edir Macedo gera polêmica, ao sugerir troca de imagem da padroeira do Brasil"
Imagem que circula nas redes mostra notícia falsa que não foi publicada pelo jornal - Reprodução

A corrente foi compartilhada no Facebook e em grupos de WhatsApp e imita em parte o design do jornal. A notícia supostamente teria sido publicada na edição do dia 11 de outubro deste ano no caderno Cotidiano.

Como é possível conferir no índice da edição impressa daquele dia, não foi publicado nenhum texto com o título igual àquele da mensagem compartilhada ou sobre qualquer proposta de alterar a imagem de Nossa Senhora Aparecida.

Projeto de Lei 2623

Outra versão do boato, que também circula em redes sociais, diz que Bolsonaro e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), assinaram o Projeto de Lei 2623, de 2007, que sugeria a alteração do termo "padroeira do Brasil" para "padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos".

O PL, de autoria do deputado Victorio Galli, que à época era do MDB e hoje é do PSL, foi arquivado em 2008 na Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados. A matéria não poderá ser desarquivada no próximo ano porque o seu autor não foi reeleito.

O Comprova, iniciativa da qual a Folha faz parte, não encontrou assinatura do Bolsonaro no projeto.

Ao Comprova, a assessoria do Bolsonaro afirmou que "não responde fake [news]". Eduardo Bolsonaro, no entanto, publicou um vídeo no seu Facebook, que foi compartilhado na página do presidenciável, desmentindo a informação.

"O projeto é de 2007 e foi apreciado em 2008, nessa época eu sequer era deputado, a minha eleição foi em 2014. Além disso, não existe assinatura do Jair Bolsonaro apoiando esse projeto em lugar nenhum. Esse projeto foi sepultado na comissão da educação por unanimidade. Não há o que falar, é uma invenção", disse Eduardo. 

O texto do boato também afirma que o suposto apoio de Bolsonaro ao projeto foi uma "moeda de troca" para ele conseguir apoio de Edir Macedo, que também teria pedido a implantação do "ensino evangélico a todas as crianças, a partir da creche, em janeiro de 2020".

A informação não tem nenhuma fonte que a confirme, e o bispo a negou, através de nota divulgada no site da Igreja Universal . "Nem o bispo Edir Macedo, nem a Igreja Universal do Reino de Deus tem qualquer relação com esse projeto de lei", diz o texto.

"Já sobre a fake news do ensino religioso nas escolas públicas, a Universal defendeu exatamente o contrário em audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF): a Igreja apoia o ensino religioso não confessional, que deve ser facultativo, com professores qualificados para tal. 'O ensino deve ser sobre religião, e não da religião', afirmou o representante da Universal durante a audiência", conclui a nota.
 

Participaram também da apuração deste texto os veículos BandNews FM e O Povo, que integram o Comprova, projeto que visa identificar, checar e combater rumores, manipulações e notícias falsas sobre as eleições de 2018. É possível sugerir checagens pelo WhatsApp da iniciativa, no número (11) 97795-0022.      

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