Descrição de chapéu Eleições 2018

Primeira mulher indígena na Câmara quer trabalhar para resolver questão energética em RR

Da Rede, Joenia Wapichana descarta apoiar Jair Bolsonaro (PSL)

Marcelo Toledo
Boa Vista (RR)

Primeira mulher indígena eleita para a Câmara dos Deputados, Joenia Wapichana (Rede), 44, disse que irá defender em Brasília bandeiras dos povos indígenas, trabalhar para resolver a questão energética em Roraima e descarta apoiar Jair Bolsonaro (PSL) no segundo turno.

A advogada foi eleita por Roraima com 8.491 votos (3,14% do total), a oitava mais bem votada, para uma vaga na Câmara dos Deputados que um índio não ocupa desde a eleição de 1982.

Joenia Wapichana, primeira índia eleita para a Câmara, em foto publicada no seu Instagram
Joenia Wapichana, primeira índia eleita para a Câmara, em foto publicada no seu Instagram - Reprodução Instagram/joeniawapichana

Naquele ano, foi eleito o cacique xavante Mario Juruna, pelo PDT do Rio de Janeiro.

Moradora da capital, Boa Vista, Joenia afirmou que usará sua experiência de mais de 20 anos como advogada para defender os direitos coletivos indígenas e a sustentabilidade nas terras ocupadas pelos índios no país.

"Que a renda seja fortalecida nas comunidades, valorizando os produtos orgânicos produzidos por elas, e que todos os direitos sejam respeitados, até mesmo para que a gente faça diferença nesse imenso Brasil", disse.

Indígenas das mais diversas etnias se organizaram com o objetivo de unir forças para conseguir eleger ao menos um representante para o Congresso.

O total de concorrentes que se declararam indígenas atingiu 130 neste ano, 50% mais do que na eleição de 2014.

Joenia disse que o indígena não tem acesso a muitas informações e que, por isso, elas devem ser levadas a todos os povos.

"Há muito a ser feito. Que os indígenas tenham programas, parcerias, que sejam incluídos em planos de desenvolvimento do país."

Único estado brasileiro fora do sistema intrigado nacional de energia elétrica, Roraima depende do fornecimento por meio de termelétricas ou da energia vinda da Venezuela.

Há propostas em discussão como a da criação do chamado linhão de Tucurui, que cortaria a terra indígena vaimiri-atroari e que é alvo de crítica de povos indígenas.

"Tem de ser respeitado o direito que eles têm de serem ouvidos. E temos de pensar em alternativas de energia, como a éolica e solar, que são mais baratas e geram menos danos. Essa discussão precisa ser feita", disse.

Para Joenia, o potencial eólico existe em Roraima e gera menos danos que o linhão ou mesmo a criação de uma hidrelétrica.

No segundo turno, ela disse que ainda vai analisar o cenário, mas já decidiu que não apoiará Bolsonaro, mais bem votado do primeiro turno.

"Defendo a Marina por conta das propostas dela, mas já é certo que ele não", disse.

VENEZUELANOS

Tema dominante nas discussões eleitorais em Roraima, a forte imigração de venezuelanos e os impactos provocados no estado devem ser resolvidos com diálogo e envolvimento de vários governos.

"Essa crise não vai acabar tão rápido, e quem tem fome não espera. A responsabilidade não é de Roraima, mas nacional e até internacional.  Precisa de um trabalho conjunto."

Ela afirmou que ainda é preciso que a xenofobia não impere na região Norte. "Nós, indígenas, sabemos bem como é isso, sentimos na pele a discriminação."

Colaborou JOÃO PEDRO PITOMBO

Colaborou JOÃO PEDRO PITOMBO  

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