Witzel anuncia sócio em escritório de advocacia como secretário

Governador eleito do Rio anunciou sete futuros secretários de sua gestão

Italo Nogueira
Rio de Janeiro

O governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), anunciou nesta terça-feira (13) sete futuros secretários de sua gestão. Entre eles está o advogado Lucas Tristão, 31, seu sócio num escritório de advocacia no Espírito Santo, que assumirá a pasta de Desenvolvimento Econômico e Geração de Emprego e Renda.

Conforme a Folha revelou durante a campanha, Witzel se tornou sócio de Tristão durante a campanha eleitoral. No mesmo período, o advogado passou a defender uma fornecedora de mão de obra terceirizada, a Atrio Rio, ligada a empresário citado em delação sobre corrupção no TCE (Tribunal de Contas do Estado).

O governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, fala com a imprensa após encontro com Bolsonaro no CCBB, em Brasíli - Pedro Ladeira - 8.nov.2018/Folhapress

O governador eleito apontou as “luvas” pela entrada no escritório, pagas pelo novo parceiro, como parte da origem dos R$ 215 mil que o ex-juiz doou para a própria campanha. À Justiça Eleitoral antes da campanha, ele havia declarado não ter dinheiro na conta bancária.

“Wilson Witzel presta consultoria jurídica e recebeu, além de honorários, luvas para ingressar em dois escritórios de advocacia, um no Rio de Janeiro e outro no Espírito Santo”, informou a assessoria do então candidato sobre a origem dos recursos doados. 

O advogado é ex-aluno de Witzel, segundo informou a assessoria de imprensa do governador eleito. Segundo o currículo divulgado, Tristão "é tributarista, especialista em recuperação de empresas e administração de passivo fiscal".

Até 2016, a única ação de Tristão no TJ fluminense referia-se a dívidas de IPTU do próprio Witzel, datadas de 2008. Na Justiça Federal do Rio de Janeiro, atuava apenas em ações em cidades do Sul Fluminense.

Há dois anos, assumiu dois processos. No ano seguinte, quando já circulava no meio político ao lado do ex-juiz, assumiu duas causas tributárias contra o estado. Em agosto deste ano, durante o processo eleitoral, se tornou advogado da Atrio Rio, numa ação em que contesta licitação da Secretaria Estadual de Educação.

A Atrio Rio é uma das firmas ligadas à família do empresário Mário Peixoto, citado em delação premiada sobre propina no TCE (Tribunal de Contas do Estado). Ele foi apontado pelo ex-presidente do tribunal Jonas Lopes como um dos responsáveis por pagar uma mesada de R$ 200 mil aos conselheiros da corte entre 2012 e 2013.

A firma está em nome de duas outras empresas, sendo uma delas de propriedade de filhos de Mário Peixoto. Ela recebeu desde 2007 cerca de R$ 450 milhões por serviços como limpeza, terceirização de mão de obras, entre outros serviços. Atualmente, tem contratos ativos com o Detran, Polícia Militar, Universidade da Zona Oeste e Cedae.

Outro oficializado é o coronel Rogério Figueiredo de Lacerda, 48, atual coordenador das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), como secretário da Polícia Militar. Witzel vai abolir a pasta da Segurança, elevar as polícias ao status de secretaria e coordenar o setor diretamente com os responsáveis de cada uma.

O secretário de Polícia Civil será Marcus Vinicius Braga, que teve passagens por delegacias especializadas, como a Coordenadoria de Operações Especiais (CORE) e as delegacias de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), de Combate às Drogas e de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA).

Os demais secretários serão o empresário José Luís Cardoso Zamith (Governança), coronel Roberto Robadey Jr. (Defesa Civil), delegado da Polícia Federal Bernardo Cunha Barbosa (Controladoria-Geral do Estado) e o procurador Marcelo Lopes da Silva como titular da PGE (Procuradoria Geral do Estado).

Outro lado

A assessoria de imprensa de Witzel afirma que Tristão é "um profissional com preparo técnico para ocupar a nova Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico e Geração de Emprego e Renda".

A respeito do governador eleito, a assessoria informa que ele "vai se desvincular dos escritórios e de todas as suas funções profissionais até a data de sua titulação, como determina a legislação". E que "o mesmo será exigido de todos os seus secretários até as suas respectivas nomeações" para o governo.

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