Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro escolhe assessora de aliado para Ministério das Mulheres, Família e Direitos Humanos

Advogada Damares Alves é a segunda mulher indicada para o primeiro escalão do próximo governo

Talita Fernandes Laís Alegretti
Brasília

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, escolheu Damares Alves para o Ministério das Mulheres, Família e Direitos Humanos. A pasta vai abrigar a Funai (Fundação Nacional do Índio), que hoje está na Justiça

Trata-se da segunda mulher indicada para o primeiro escalão do próximo governo. Além de Alves, Bolsonaro confirmou a deputada Tereza Cristina para o Ministério da Agricultura.

O anúncio da ministra foi feito pelo futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, ao lado do deputado federal eleito Julian Lemos (PSL-PB), que foi por três vezes alvo da Lei Maria da Penha, acusado de agressão pela irmã e pela ex-mulher. O caso foi revelado pela Folha.

 
Damares Alves, indicada para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos
Damares Alves, indicada para o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos - Pedro Ladeira/Folhapress

​Damares é advogada e atualmente é assessora no gabinete do senador Magno Malta (PR-ES). O parlamentar capixaba é amigo de Bolsonaro e chegou a ser cotado para o Ministério da Cidadania, mas a ideia foi abandonada após críticas de apoiadores.

Logo depois de ter sido anunciada por Onyx, ela prometeu garantir que as mulheres ganhem o mesmo salário que os homens.

"Nenhum homem vai ganhar mais que uma mulher nessa nação desenvolvendo a mesma função. Isso já é lei e o Ministério Público está ai para estar fiscalizando. Se depender de mim vou para porta da empresa que o funcionário homem desenvolvendo papel igual à mulher está ganhando mais. Acabou isso no Brasil", declarou.

A decisão de levar a Funai da Justiça para a nova pasta se deu após intenso debate entre pessoas do governo de transição. Houve forte resistência dos futuros ministros de abrigar a Fundação.

Pessoas próximas a Bolsonaro relataram à Folha que seus auxiliares não queriam assumir o órgão por verem nas falas do presidente eleito sua desvalorização, já que ao longo da campanha ele repetiu que acabaria com a demarcação de terras indígenas.

Houve tentativa de abrigar a Funai na Justiça, Agricultura e Cidadania, ideias que foram abandonadas após resistência dos titulares.

Damares disse não ter nenhum problema de resistência por parte de indígenas, que estiveram nesta quinta-feira (6) no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil), para pedir ao futuro governo que a Funai permaneça sob os cuidados da Justiça.

"Funai não é problema, índio não é problema. Funai não é problema neste governo, o presidente só estava esperando o melhor lugar para colocar a Funai. E nós entendemos que é o Ministério de Direitos Humanos porque índio é gente. E o índio precisa ser visto de uma forma como um todo. Índio não é só terra, índio também é gente", afirmou.

Ela disse estar qualificada para assumir a Fundação por seu histórico com indígenas, citando ter participado de uma CPI no fim da década de 1990.

A indicação de Damares deixa de lado nomes apresentados pela bancada evangélica, que declarou apoio a Bolsonaro ainda durante a campanha e vinha se queixando de não ter pedido acolhido pelo eleito.

Os evangélicos levaram na semana passada os nomes do pastor e deputado Marco Feliciano (Podemos-SP) e dos deputados Gilberto Nascimento (PSC-SP) e Ronaldo Nogueira (PTB-RS). 

Eles pretendiam emplacar uma das três opções no novo Ministério da Cidadania.

Bolsonaro, contudo, decidiu indicar o ex-ministro de Temer Osmar Terra para a pasta e mudou os planos ao decidir que Direitos Humanos seria um ministério independente.

Sobre Direitos Humanos, pasta que Bolsonaro antes dizia que extinguiria, Damares disse que, em sua gestão, dará continuidade a políticas que estão dando certo, mas não citou exemplos.

Segundo a futura ministra, haverá valorização de políticas públicas voltadas à infância e à vida. Ela prometeu ainda dar protagonismo a pessoas excluídas das ações do governo. Como exemplo, citou ciganos, mulheres ribeirinhas e quebradoras de coco.

Damares é educadora, pastora evangélica e advogada.

Ela definiu a pauta LGBT como delicada e complexa, mas prometeu uma conciliação de defensores da causa com setores conservadores da sociedade.

"A pauta LGBT é muito delicada, mas a minha relação é muito boa, dá para gente ter um governo de paz entre o movimento conservador, movimento LGBT e os demais movimentos", afirmou.

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