Descrição de chapéu Lava Jato

Nova fase da Lava Jato prende 2 e mira propina em contratos da Transpetro

Suspeita é que pagamento beneficiaria agentes ligados ao MDB; empresário e advogado foram presos

São Paulo e Curitiba

Em nova fase da Operação Lava Jato, a Polícia Federal cumpriu dois mandados de prisão temporária e de busca e apreensão nesta quinta-feira (31) em São Paulo, com o objetivo de investigar o pagamento de propina em contratos da Transpetro, que beneficiariam agentes políticos ligados ao MDB.

Foram presos o empresário Wilson Quintella Filho, acionista e ex-presidente de empresas do Grupo Estre, que atua na área ambiental e de construção naval, e o advogado Mauro de Morais.

Um terceiro alvo, Antonio Kanji Hoshikawa, ex-funcionário do grupo Estre, é considerado foragido.

A investigação identificou pagamentos de pelo menos R$ 9 milhões em propina, feitos entre 2011 e 2013. Mas o montante total pode chegar a R$ 122 milhões.

Segundo o Ministério Público Federal, a propina era paga pelo grupo Estre, e lavada por meio de contratos fictícios com o escritório de advocacia Mauro de Morais, que disponibilizava o dinheiro vivo, por meio de saques fracionados.

Os pagamentos foram feitos ao ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que fez colaboração premiada e delatou o esquema, e a agentes políticos do MDB, que davam sustentação à sua indicação para o cargo.

Os políticos não foram alvo da operação desta quinta, e seus nomes não foram declinados.

Em agosto de 2017, a Procuradoria-Geral da República já denunciou senadores e ex-senadores do MDB delatados por Machado, como Renan Calheiros, Romero Jucá, Garibaldi Alves e José Sarney, sob acusação de desviar recursos em contratos da Transpetro. O caso está em tramitação no STF (Supremo Tribunal Federal).

Segundo os procuradores, as entregas do dinheiro ao destinatário final eram feitas por Kanji, um ex-funcionário de confiança de Quintella Filho e que também tinha vínculos com o advogado Morais.

No total, a Lava Jato investiga 36 contratos do Grupo Estre –que engloba Estre Ambiental, Pollydutos e Estaleiro Rio Tietê– com a Transpetro, na área ambiental, de reabilitação de dutos e construção naval.

Mas outros pagamentos também estão sob suspeita, segundo os procuradores.

No total, o escritório de advocacia de Morais, que tinha apenas uma secretária registrada no quadro de empregados, recebeu R$ 22 milhões do grupo Estre.

De acordo com a Receita Federal, esses pagamentos foram lastreados em contratos fictícios, sem a comprovação do serviço prestado, como relatórios ou comprovantes de despesa. “Não havia nada que efetivamente comprovasse a prestação do serviço”, disse Edson Suzuki, auditor fiscal da Receita Federal no Paraná.

Um dos pagamentos, de R$ 7,9 milhões, foi feito pela Cavo, empresa de coleta de lixo que presta serviços em Curitiba e outras cidades brasileiras, e que também integra o grupo Estre. O caso está sendo investigado.

OUTRO LADO

Em nota, a Estre Ambiental informou que está colaborando com a investigação e disse estar à disposição das autoridades.

A Transpetro sustenta que é vítima do esquema, e diz estar apurando denúncias de irregularidades nos contratos que envolvem a Estre e outras empresas citadas por Machado. A empresa diz que está prestando apoio à investigação.

A Folha tenta contato com a defesa dos demais investigados.

 

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