Veja erros e acertos de Bolsonaro sobre emprego, referendo e custo de campanha

A Lupa checou algumas das frases dos discursos de posse

Chico Marés Nathália Afonso
São Paulo | Agência Lupa

A Lupa checou algumas das frases ditas pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) nos discursos que fez durante sua posse

“Temos o grande desafio de enfrentar os efeitos (...) do desemprego recorde”
FALSO
 A taxa de desocupação trimestral mais recente divulgada pelo IBGE é de 11,9% e se refere ao 3º trimestre de 2018. Segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Trimestral (Pnadc/T), esse índice não pode ser considerado um “recorde” negativo. Analisando a série histórica da PnadC/T, iniciada em 2012, a mais alta taxa de desemprego aparece no 1º trimestre de 2017, quando o índice chegou a 13,7% —o equivalente a 14,2 milhões de desocupados. Naquele momento, o presidente do Brasil era Michel Temer (MDB). Procurado, Bolsonaro não respondeu.

“Eu fui eleito com a campanha mais barata da história”
VERDADEIRO
 Segundo sua prestação de contas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro gastou R$ 2,4 milhões em sua campanha presidencial —de um total de R$ 4,3 milhões arrecadados. Desde as eleições de 1994, quando o TSE passou a auditar esses valores, é a campanha vencedora mais barata. Antes disso, tinha sido a de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 2002, que custou R$ 21 milhões —ou R$ 53,6 milhões, em valores corrigidos pela inflação. Vale pontuar que a eleição de 2018 foi a primeira sem doações empresariais desde 1994.

“[No] Referendo de 2005, quando [a população] optou, nas urnas, pelo direito à legítima defesa”
FALSO 
O referendo de 2005 não se referiu à legítima defesa. A discussão era se o artigo 35 do Estatuto do Desarmamento, em vigor desde dezembro de 2003, deveria ser alterado ou não —proibindo o comércio de armas de fogo e munições no país. Os eleitores foram questionados da seguinte forma: “O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?”. A maioria da população (63%) respondeu “não”. Assim sendo, a comercialização desses produtos foi mantida, seguindo as regras estipuladas pelo estatuto em vigor. Já a legítima defesa —entendida como o uso moderado dos “meios necessários” para repelir injusta agressão a si ou a terceiros— é garantida pelo artigo 25 do Código Penal e nunca foi objeto de referendo no Brasil. Procurado, Bolsonaro não respondeu.

“Reafirmo meu compromisso de construir uma sociedade sem discriminação ou divisão”
DE OLHO
 Apesar de defender que os brasileiros sejam livres para fazer suas “escolhas afetivas, políticas, econômicas ou espirituais” no programa de governo que registrou no TSE, Bolsonaro deu, ao longo de sua vida pública, declarações interpretadas como discriminatórias. Em 2010, à TV Câmara, afirmou que se “o filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele”. Em 2011, no programa CQC, disse que seus filhos “tiveram uma boa educação” e, por isso, não passava por sua cabeça ter um filho homossexual. No mesmo programa, ao responder à cantora Preta Gil sobre o que faria se um deles se apaixonasse por uma negra, afirmou que não discutiria “promiscuidade”. À época, justificou a resposta dizendo que havia entendido que a pergunta “era sobre gays”. Ao jornal Zero Hora, em 2014, disse que empresários preferiam não empregar mulheres porque elas engravidam —ideia que reafirmou à apresentadora Luciana Gimenez, em 2016, dizendo, textualmente, que “não empregaria [homens e mulheres] com o mesmo salário”. À Lupa, em abril de 2018, garantiu que “buscava explicar sua posição sobre o tema” e que não tinha “opinião nenhuma” sobre a diferença salarial entre homens e mulheres no país. Em 2017, em palestra no RJ, afirmou que, entre seus cinco filhos, “foram quatro homens. A quinta, eu dei uma fraquejada e veio uma mulher”. Na mesma ocasião, comentou uma visita a um quilombo. “O afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas. Não fazem nada! Eu acho que nem para procriador ele serve mais”. A Procuradoria-Geral da República apresentou denúncia —rejeitada pelo STF— contra o presidente por racismo. À época, a defesa de Bolsonaro disse que a acusação era “vazia e sem nenhum fundamento”.

Verdadeiro A informação está comprovadamente correta.  De olho A Agência Lupa monitora o tema dessa informação. Falso A informação está comprovadamente incorreta.

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