Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Ministro envolvido em caso de laranjas se reúne com Bolsonaro e cancela com Mourão

Presidente tem sido pressionado a demitir Marcelo Álvaro Antônio, que patrocinou esquema em Minas

Talita Fernandes Gustavo Uribe
Brasília

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), responsável por patrocinar um esquema de candidaturas laranjas em Minas Gerais, como revelou a Folha, se reuniu com o presidente Jair Bolsonaro na tarde desta quarta-feira (20).

A assessoria de imprensa do Palácio do Planalto não soube informar o motivo do encontro, que acontece em meio à crise das candidaturas de laranjas do PSL, sigla do presidente.

O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, durante reunião ministerial em Brasília
O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, durante reunião ministerial em Brasília - Marcos Corrêa - 3.jan.19/Presidência da República

Já a assessoria do ministro disse, sem detalhes, que a reunião teve como objetivo discutir uma “agenda para alavancar o turismo no Brasil” e que se trata de um “pacote de projetos”.

O encontro aconteceu às 14h15 e o ministro entrou e saiu do Palácio do Planalto pela garagem, por onde costumam ingressar integrantes do primeiro escalão.

Álvaro Antônio tinha a previsão de uma audiência com o vice-presidente, general Hamilton Mourão, mas não compareceu à agenda. A assessoria não soube informar o motivo da ausência.

O ministro iria tratar com Mourão da crise de Brumadinho (MG), atingida pelo rompimento de uma barragem de mineração da Vale.

O encontro com Bolsonaro ocorre no mesmo dia em que a Folha revelou que a ex-candidata a deputada estadual Cleuzenir Barbosa (PSL-MG) entregou ao Ministério Público mensagem em que um assessor de Álvaro Antônio cobra a devolução de verba pública de campanha para destiná-la a uma empresa ligada a outro assessor do político.

A mensagem confronta a versão dada até agora pelo ministro e por seus assessores à época.

Segundo o depoimento de Cleuzenir ao Ministério Público de Minas Gerais, o assessor a pressionou a transferir R$ 30 mil, dos R$ 60 mil que ela recebeu de verba pública do partido, para uma gráfica de um irmão de Roberto Soares, que foi assessor de Álvaro Antônio e coordenou sua campanha na região do Vale do Aço de Minas Gerais.

Bolsonaro não fez comentários até o momento sobre as suspeitas ligadas ao ministro.

Por outro lado, o caso das candidaturas gerou críticas do presidente a outro auxiliar, Gustavo Bebianno, que foi demitido na segunda (18) da Secretaria-Geral da Presidência.

Bebianno caiu após uma crise desencadeada no Palácio do Planalto com a revelação pela Folha da existência de um esquema de candidaturas de laranjas do PSL para desviar verba pública eleitoral.

O partido foi presidido por ele durante as eleições de 2018, em campanha de Bolsonaro marcada por um discurso de ética e de combate à corrupção.

Depois de Bebianno ter sido chamado de mentiroso em postagem de Carlos Bolsonaro, filho do presidente, que por sua vez disse que o aliado “poderia voltar às origens”, o ministro se disse perplexo com o tratamento diferente do recebido por Álvaro Antônio no caso das candidaturas de laranjas.

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