Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Mourão 'acha' que Bolsonaro demitirá ministro caso se comprovem denúncias

Marcelo Álvaro Antônio é alvo da Promotoria sobre candidaturas laranjas do PSL em MG e pediu foro especial no STF

Talita Fernandes Gustavo Uribe
Brasília

O vice-presidente, general Hamilton Mourão, disse acreditar que o presidente Jair Bolsonaro vai demitir o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, se as denúncias contra ele forem confirmadas.

"Sobre o ministro do Turismo, eu creio que é a solução é aquela que eu já falei várias vezes aqui para vocês: uma vez comprovadas que as denúncias são consistentes e que realmente ocorreu o fato eu acho que o presidente vai demitir o ministro", afirmou nesta quinta-feira (21) ao deixar o Palácio do Planalto.

O vice-presidente Hamilton Mourão, durante entrevista
O vice-presidente Hamilton Mourão, durante entrevista - Ueslei Marcelino - 14.fev.2019/Reuters

A fala ocorre em meio ao pedido de Álvaro Antônio ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que a investigação sobre candidatas laranjas do PSL, aberta em Minas Gerais, passe a tramitar perante a corte. O ministro é alvo direto da apuração da Promotoria mineira. 

Desde que o caso foi revelado pela Folha, no início de fevereiro, Bolsonaro não comentou o envolvimento do ministro do Turismo.

Ele recebeu Álvaro Antônio no Palácio do Planalto na tarde de quarta-feira (20), mas a assessoria de imprensa não soube informar o motivo do encontro. O ministro tinha um compromisso marcado com Mourão na sequência, para tratar do desastre de Brumadinho (MG), mas cancelou sem apresentar justificativas.

Reportagem da Folha revelou, em 4 de fevereiro, que o ministro do Turismo, deputado federal mais votado em Minas, patrocinou um esquema de quatro candidaturas de laranjas, todas abastecidas com verba pública do PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro.

Álvaro Antônio era presidente do PSL em Minas e tinha o poder de decidir quais candidaturas seriam lançadas. As quatro candidatas receberam R$ 279 mil da verba pública de campanha da legenda, ficando entre as 20 candidatas que mais receberam dinheiro do partido no país inteiro.

Desse montante, pelo menos R$ 85 mil foram destinados a quatro empresas que são de assessores, parentes ou sócios de assessores do hoje ministro de Bolsonaro.

Não há sinais de que essas candidatas tenham feito campanha efetiva durante a eleição. Ao final, juntas, somaram apenas cerca de 2.000 votos, apesar do montante recebido para a campanha.

Na última terça-feira (19), a Folha mostrou que uma outra candidata em Minas disse ter havido um esquema de lavagem de dinheiro público pela sigla no estado.

Segundo Cleuzenir Barbosa, o agora ministro do governo Bolsonaro sabia da operação. Mensagens de celular também contradizem a versão de Álvaro Antônio e revelam cobrança para desvio de verba eleitoral.
Agora, a defesa do ministro do Turismo afirmou ao Supremo que, conforme o novo entendimento do STF sobre a prerrogativa de foro, o caso dele deve subir para o tribunal. No ano passado, o Supremo definiu que o foro se restringe a supostos crimes cometidos no exercício do cargo e em razão dele.

Além de ministro, Álvaro Antônio é deputado licenciado em segundo mandato. A defesa afirma que os supostos ilícitos foram praticados enquanto ele era deputado e têm ligação com seu cargo, uma vez que o dinheiro de campanha foi parar em contas de empresas ligadas a ex-assessores de seu gabinete na Câmara.

“Observe-se o que diz a reportagem publicada no jornal Folha de S.Paulo que versaria sobre os mesmos fatos: 'O ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, deputado federal mais votado em Minas, patrocinou um esquema de candidaturas laranjas no estado que direcionou verbas públicas de campanha para empresas ligadas ao seu gabinete na Câmara'”, escreveu a defesa.

“Os fatos investigados teriam sido cometidos durante o exercício do mandato parlamentar e seriam intrinsecamente ligados ao cargo público”, sustentou na reclamação ao Supremo.

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