Procuradores divulgam certidão para rebater acusação de vazamento

Reportagem da Crusoé revelou que Marcelo Odebrecht tratava o ministro Dias Toffoli, do STF, por "amigo do amigo do meu pai"

Wálter Nunes
São Paulo

A força tarefa do Ministério Público Federal no Paraná, responsável pela Operação Lava Jato, divulgou nesta quinta-feira (19) uma nota à imprensa e uma certidão da Justiça Federal para rebater a acusação de que procuradores teriam vazado informações de um processo à revista digital Crusoé.

A revista publicou reportagem dizendo que em uma ação da Lava Jato o delator Marcelo Odebrecht, dono da empresa que leva seu sobrenome, revelou aos investigadores que o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Tóffoli, era tratado pelo apelido “amigo do amigo do meu pai”.

A reportagem foi censurada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que determinou que ela fosse retirada do ar pela Cruzoé e pelo site O Antagonista. Nesta quinta, Moraes voltou atrás ​revogou a decisão dele próprio.

A nota divulgada pela força tarefa da Lava Jato diz que os procuradores só acessaram o processo que continha as informações da reportagem após a matéria ter sido publicada pela revista digital. 

O ministro Dias Toffoli, durante o evento Desafios Contemporâneos Justiça e Julgamentos. Ele está de terno e usa um quipá na cabeça
O ministro Dias Toffoli, do STF, durante o evento Desafios Contemporâneos Justiça e Julgamentos. - Eduardo Anizelli/Folhapress

“Certidão com informações extraídas do sistema eproc pela 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba demonstra que os procuradores da força tarefa da Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná só acessaram os autos em que foi juntado o documento de que trata a matéria da Revista Crusoé, intitulada “O amigo do amigo de meu pai”, às 22h04 de 11/04/2019, portanto, após a publicação da notícia sobre o assunto no site da revista e no site O Antagonista. A referida matéria estava disponível, pelo menos, desde às 20h01 de 11/04/2019”, diz a nota.

A matéria publicada pela Crusoé não diz que Toffoli tenha cometido qualquer ilegalidade. O argumento usado por Alexandre de Moraes para a censura foi que as informações contidas na matéria seriam falsas. A Folha também teve acesso ao material e confirmou que realmente Marcelo Odebrecht, dono da empreiteira, diz aos investigadores que Tofolli era tratado por “amigo do amigo do pai” em troca de e-mails entre executivos da companhia.

Os procuradores dizem, na nota, que “a tentativa leviana de vincular o vazamento a procuradores da força tarefa é apenas mais um esforço para atacar a credibilidade da força-tarefa e da operação, assim como de desviar o foco do conteúdo dos fatos noticiados”.

A força tarefa ainda diz que “diante do fato de que o documento foi produzido por particular e que a ele potencialmente tiveram acesso várias pessoas, a acusação – infundada, como provado – ignora a participação de outros atores no inquérito. Nesse contexto, a acusação direcionada aos procuradores levanta suspeita sobre a isenção de quem a realiza e sobre a real intenção de quem os persegue”.

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