Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro prevê tsunami, vê erros perdoáveis e pede para governo antecipar problemas

Na semana que vem, Congresso volta a discutir a medida provisória que reestrutura o governo

Talita Fernandes
Brasília

Um dia depois de o Congresso ter imposto nova derrota à sua gestão, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) defendeu em discurso que o governo tenha a capacidade de antever problemas, afirmando que "pode haver um tsunami na semana que vem".

"Talvez tenhamos um tsunami na semana que vem, mas a gente vence o obstáculo com toda a certeza. Somos humanos, todos erram. Alguns erros são perdoáveis, outros não", afirmou.

A fala foi feita em evento em Brasília para treinamento de gestores da Caixa Econômica Federal. O presidente não explicou, contudo, o que quis dizer com "tsunami".

 

Na próxima semana, o Congresso volta a discutir a medida provisória que trata da reestruturação do governo. 

Na quinta-feira (9), o governo Bolsonaro sofreu derrotas no Congresso que colocaram em xeque a reforma administrativa do presidente e os planos do ministro Sergio Moro —que tentava manter sob sua responsabilidade o Coaf, órgão considerado estratégico por ele para ações de combate à corrupção.

Além de terem exposto a fragilidade política da base aliada, as decisões dos parlamentares ameaçam desfigurar a estrutura do governo, que não conseguiu emplacar suas demandas mesmo após ter cedido às pressões e aceitado recriar dois ministérios que inicialmente poderiam abrigar indicações políticas.

O que está em jogo é a medida provisória 870 de Bolsonaro, que estabeleceu logo no começo do mandato uma nova configuração de pastas e atribuições —num total de 22 com status ministerial, contra 29 sob Michel Temer (MDB).

A MP precisa passar pela Câmara e pelo Senado até 3 de junho, quando ela expira. O prazo, porém, ficou apertado com a decisão do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de não votá-la nesta quinta-feira, como foi previsto por governo e oposição, e empurrar a discussão para a semana que vem.

O texto da MP ainda vai ser votado nos plenários da Câmara e do Senado, onde pode ser modificado. 

Problemas antecipados

No evento da Caixa, nesta sexta-feira, em Brasília, Bolsonaro disse que sempre transmitiu a seus auxiliares a capacidade de anteciparem os problemas. "Se uma pessoa chega perto de nós e fala que tem fome, não a espere pedir um prato de comida, ofereça-lhe um prato de comida", disse.

Ao dizer isso, lembrou de um episódio em que era deputado e chamou lotéricos para discutir as dificuldades que enfrentavam. Na sequência, brincou que essa não era a sua especialidade e que o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, solucionou o problema.

"Minha praia é outra", disse, fazendo um sinal de armas com as mãos e rindo. O presidente então arrancou aplausos da plateia ao fazer o gesto. "Eu acho que o pessoal gostou, em parte, do decreto das armas, com toda a certeza", disse.

Na terça-feira (7), ele assinou um decreto que flexibiliza o porte de armas e a compra de munições, estendendo o direito para mais 20 categorias. 

Durante a cerimônia desta sexta, Bolsonaro recebeu um crachá personalizado da Caixa. No fim do ato, beijou o objeto e abraçou Guimarães em agradecimento, dizendo que se tratava de um "abraço hétero, com todo o respeito".

Ao encerrar o discurso, desceu do palco para abraçar os presentes, que o aclamaram com aplausos.

ENTENDA A REFORMA ADMINISTRATIVA

Principais pontos

  • Corta de 29 para 16 o número de ministérios; cria quatro pastas com status ministerial —Casa Civil, Secretaria de Governo, Secretaria-Geral, GSI—  e dois cargos com status de ministro: advogado-Geral da União e presidente do Banco Central
  • Extingue o Ministério do Trabalho e distribui atribuições entre Economia, Justiça e Cidadania
  • Economia herda atribuições dos antigos Ministérios da Fazenda, Planejamento e Indústria, Comércio Exterior e Serviços
  • Cultura perde o status de ministério e vai para baixo do Ministério da Cidadania
  • Transfere para o Ministério da Agricultura a demarcação de terras indígenas e quilombolas, antes sob Funai e Incra
  • Serviço Florestal Brasileiro, que fazia parte do Ministério do Meio Ambiente, vai para a gestão do Ministério da Agricultura

O que já caiu na comissão especial?

  • Coaf saiu do Ministério da Justiça e foi para o Ministério da Economia
  • Funai saiu do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e foi para o Ministério da Justiça. A demarcação de terras indígenas, que estava no Incra, no Ministério da Agricultura, também foi para a Justiça
  • Fiscalização do governo sobre ONGs foi derrubada
  • Foram recriados os Ministérios da Integração Nacional e das Cidades
  • Foi incluído um jabuti (proposta que nada tem a ver com a MP) que limita a atuação de auditores da Receita Federal

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