Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Moro diz que Coaf é estratégico e que Guedes não se interessou pelo órgão

Ministro enfrenta movimento de parlamentares que defendem volta do conselho para a Economia

Ricardo Della Coletta
Brasília

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou nesta quarta-feira (8) que o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) é "estratégico" para o Ministério da Justiça e que o ministro Paulo Guedes (Economia) não manifestou interesse em transferir o órgão para a sua pasta. 

"O Coaf veio para o Ministério da Justiça, eu não pedi que ele viesse. Nós fizemos um diagnóstico do Coaf na Fazenda e nossa percepção é que o órgão sofria alguma espécie de descuido", declarou o ministro, que participa nesta quarta de uma audiência pública na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, na Câmara dos Deputados.

"Para o Ministério da Justiça o Coaf é estratégico, enquanto que para o ministério da Economia não existe esse interesse tão grande. De fato o ministro Paulo Guedes não tem nenhum movimento no sentido de retomar o Coaf para a Economia", acrescentou Moro.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro - Marcelo Camargo-6.mai.19/Agência Brasil

O Coaf, conselho de inteligência financeira que investiga operações suspeitas, se converteu no centro de uma disputa entre o ministro Moro, a oposição e parte dos partidos de centro no Congresso Nacional.

Até antes do governo Jair Bolsonaro, o órgão era vinculado ao antigo ministério da Fazenda, mas foi transferido para a pasta da Justiça na reforma administrativa feita na MP (Medida Provisória) 870, lançada no início do atual mandato.

A insatisfação de parlamentares com a falta de articulação política do Palácio do Planalto impulsionou o movimento no Congresso pela aprovação de uma modificação na MP que devolva o Coaf para o ministério da Economia.

Relatório do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), em comissão que analisa a MP indica a permanência do conselho sob o guarda-chuva da Justiça.

Moro se opõe a esse movimento. Nesta quarta-feira, o ministro disse que, no Ministério da Justiça, o Coaf manteve "as mesmas regras de sigilo e de preservação dos dados dos cidadãos."

A audiência pública na Câmara dos Deputados, convocada para que Moro falasse sobre o seu projeto de endurecimento de penas e do combate ao crime organizado, foi marcada por bate-bocas entre os deputados. 

Um dos momentos de bate-boca ocorreu na intervenção do deputado petista Rogério Correia (MG), que se referiu a Moro como "muito amigo" do deputado Aécio Neves (PSDB-MG) e disse que ministro "não discutiu com ninguém" o seu pacote anticrime. A fala de Correia levou à troca de acusações entre parlamentares da oposição e os que apoiam o ministro da Justiça.

Em outra ocasião, o deputado Paulo Teixeira (PT-SP) perguntou se Moro estava arrependido das perdas econômicas sofridas pelas empresas da construção civil, numa referência aos reflexos da Operação Lava Jato sobre esse setor. 

"O que prejudicou a economia foi a corrupção disseminada", rebateu Moro, que foi aplaudido por um grupo de deputados.
 

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