Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Ex-comandante do Exército chama Olavo de 'Trótski de direita' e responde a ataques

General Villas Bôas disse que guru do presidente quer substituir ideologia por outra

Talita Fernandes
Brasília

O ex-comandante do Exército general Eduardo Villas Bôas usou as redes sociais na manhã desta segunda-feira (6) para responder aos ataques feitos a militares pelo escritor Olavo de Carvalho, a quem se referiu como “Trótski de direita”.

“Mais uma vez o senhor Olavo de Carvalho a partir de seu vazio existencial derrama seus ataques aos militares e às Forças Armadas demonstrando total falta de princípios básicos de educação, de respeito e de um mínimo de humildade e modéstia”, escreveu.

O general disse ainda que Olavo é um “verdadeiro ‘Trótski de direita’, não compreende que substituindo uma ideologia pela outra não contribui para a elaboração de uma base de pensamento que promova soluções concretas para os problemas brasileiros”.

Olavo, considerado o guru da nova direita e influenciador dos pensamentos da família de Jair Bolsonaro, tem feito constantes ataques aos militares em vídeos e publicações nas redes sociais. Inicialmente, as críticas foram dirigidas ao vice-presidente, general Hamilton Mourão, e mais recentemente passaram a atingir o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz.

Desde que deixou o comando do Exército, em janeiro passado, Villas Bôas passou a ocupar o cargo de assessor especial do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), comandado pelo general Augusto Heleno, um dos mais próximos do presidente Bolsonaro.

Villas Bôas conta com forte respaldo dos militares e foi apontado pelo próprio Bolsonaro como um dos responsáveis por sua vitória nas urnas. “General Villas Bôas, o que já conversamos ficará entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui", disse o presidente em discurso público dois dias depois de ter tomado posse no Planalto.

Ainda na publicação desta segunda-feira, o general disse que Olavo “age no sentido de acentuar as divergências nacionais no momento em que a sociedade brasileira necessita recuperar a coesão e estruturar um projeto para o país”.

Segundo ele, o escritor escolheu os militares como alvo “por sua impotência diante da solidez dessas instituições e a incapacidade de compreender os valores e princípios que as sustentam”.

O ponto mais recente da discórdia entre o general Santos Cruz e Olavo se deu em torno das redes sociais.

O ministro concedeu entrevista no início de abril à rádio Jovem Pan na qual comentou a necessidade de evitar distorções nas redes sociais. Ele afirmou ainda que a influência das mídias sociais é benéfica, mas também pode "tumultuar". Para ele, é necessário ter cuidado com a sua utilização, evitando ataques e o seu uso como "arma de discórdia".

Neste final de semana, Olavo foi explícito ao endereçar as críticas ao auxiliar do presidente por sua declaração. "Controlar a internet, Santos Cruz? Controlar a sua boca, seu merda", escreveu.

A comunicação do Palácio do Planalto tem sido palco desde o início do governo de uma disputa entre o núcleo militar e os chamados "olavistas", seguidores do escritor. A Secom (Secretaria de Comunicação Social) é subordinada ao ministro Santos Cruz.

No domingo (5), Bolsonaro usou o Twitter para se manifestar sobre o caso e disse que não pretende regulamentar nem os veículos de comunicação nem as mídias sociais. Em mensagem publicada em sua conta oficial, ele escreveu que recomenda "um estágio na Coreia do Norte ou em Cuba" para quem defender uma espécie de controle do conteúdo divulgado.

“Em meu governo, a chama da democracia será mantida sem qualquer regulamentação da mídia, aí incluída as sociais. Quem achar o contrário recomendo um estágio na Coreia do Norte ou Cuba", afirmou.

O que disse general Villas Bôas

Mais uma vez o Sr. Olavo a partir de seu vazio existencial derrama seus ataques aos militares e as FFAA [Forças Armadas] demonstrando total falta de princípios básicos de educação, de respeito e de um mínimo de humildade e modéstia. Verdadeiro Trótski de direita, não compreende que substituindo uma ideologia pela outra não contribui para a elaboração de uma base de pensamento que promova soluções concretas para os problemas brasileiros. Por outro lado, age no sentido de acentuar as divergências nacionais no momento em que a sociedade brasileira necessita recuperar a coesão e estruturar um projeto para o país. A escolha dos militares como alvo é compreensível por sua importância diante da solidez dessas instituições e a incapacidade de compreender os valores e os princípios que as sustentam. 


Olavo x militares

Relação familiar
Bolsonaro conheceu Olavo de Carvalho a partir de seus filhos, que são admiradores do escritor. Em março, durante a viagem presidencial aos EUA, Bolsonaro, Eduardo e Olavo estiveram em um jantar na residência oficial do embaixador do Brasil em Washington

Indicações para o governo
Apontado como guru de Bolsonaro, Olavo foi responsável pela indicação de dois ministros: Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Ricardo Vélez Rodríguez, demitido do MEC

Conflitos com militares
Olavo tem feito críticas públicas à atuação dos militares no governo Bolsonaro, o que inclui o vice-presidente, Hamilton Mourão, e já pediu a seus ex-alunos que deixem o governo. A disputa entre olavistas e membros das Forças Armadas chegou a travar as atividades do MEC e culminou na demissão de Vélez

Vídeo apagado
Em abril, um vídeo em que Olavo criticava os militares foi postado no canal oficial de Bolsonaro no YouTube, mas a publicação foi apagada. Um dia depois, Mourão disse que Olavo deveria se limitar à "função de astrólogo", e Bolsonaro afirmou que as críticas do escritor não contribuem com o governo

Tróstki de direita
No último fim de semana, Olavo xingou o general Santos Cruz ao criticar um comentário que o militar havia feito sobre mídias sociais. Ex-comandante das Forças Armadas, o general Villas Bôas saiu em defesa do chefe da Secretaria de Governo e fez reprimendas a Olavo, a quem chamou de "Trótski de direita"

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