Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro é ovacionado em Marcha para Jesus e fala em problemas de ética, moral e economia

Ele foi 1º ocupante do Palácio do Planalto a passar neste que é o maior evento evangélico do Brasil

Anna Virginia Balloussier Joelmir Tavares
São Paulo

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse nesta quinta-feira (20), durante a Marcha para Jesus, na zona norte de São Paulo, que o país sofre com problemas de ética, moral e economia.

Recebido aos gritos de “mito”, com escassas vaias, ele conclamou a população de pé a ser o “ponto de inflexão para o Brasil ser um dia colocado no lugar de destaque que merece”, depois de dizer ser de comum conhecimento que o país “tem um problema seríssimo de moral, ética e economia”.  

O presidente da república Jair Bolsonaro, durante Marcha para Jesus, em São Paulo
O presidente da república Jair Bolsonaro, durante Marcha para Jesus, em São Paulo - Eduardo Anizelli/Folhapress

“Foi Ele quem nos deu a Presidência”, disse nesta quinta-feira de Corpus Christi. Ali estava, enfim, o presidente “de um Estado que é laico, mas ele é cristão”. 

O presidente foi o primeiro ocupante do Palácio do Planalto a passar neste que é o maior evento evangélico do Brasil, a Marcha para Jesus, idealizado em 1993 pela igreja de Hernandes, a Renascer em Cristo. 

O evento serviu para Bolsonaro renovar seu pacto com os evangélicos, segmento que lhe apoiou em peso na eleição. O presidente, um católico com esposa e filhos evangélicos, investiu na ideia de que ele e o público eram um só. 

Afirmou ainda que os evangélicos “foram decisivos para mudar o país” e que, se era Deus acima de todos, logo depois vinha "a família respeitada e tradicional acima de tudo".

Aos milhares de participantes Bolsonaro agradeceu a Deus por estar vivo, numa referência à tentativa de assassinato no ano passado em Juiz de Fora (MG).

Disse ainda estar cumprindo as promessas de campanha e que a população e a classe política precisam  acreditar que podem fazer a diferença para a melhoria do país.

Horas antes, ele havia sinalizado sua candidatura à reeleição, em passagem por Eldorado (SP), cidade onde foi criado. 

O apóstolo Cezar Augusto, da Igreja Apostólica Fonte da Vida, orou pelo mandatário e disse que, com ele no poder, “as mudanças já começaram”. 

“Tenho certeza que o senhor vai fazer a marcha por mais oito anos. O senhor é um homem de Deus. Com coragem de declarar Deus acima de todos.”

 

No palco, o deputado Marco Feliciano (Pode-SP), também um pastor da Assembleia de Deus, disse ao público que no giro pelo interior paulista que Bolsonaro, 64, pegou a mãe, dona Olinda, 92, no colo, e juntos mãe e filhos “cantaram uma canção italiana que só eles entendem”. 

Bolsonaro a revelou: “Mamma, Son Tanto Felice”. Em português: “Mamãe, estou tão feliz”.

O presidente estava sorridente na marcha, rodeado de aliados como a bispa Sonia Hernandes, da Renascer em Cristo, igreja que idealizou o evento 27 anos atrás. “Pela primeira vez na Presidência o Brasil viu o nome de Deus acima de todos, e a família foi honrada”, disse ela.

O presidente pediu à plateia para “mandar um grande abraço à evangélica Michelle”, sua esposa, e ainda fez gracejo com o apóstolo Valdemiro Santiago, da Mundial do Poder de Deus, uma das autoridades políticas e religiosas no palco (o prefeito Bruno Covas também estava e acabou vaiado por parte da multidão).

Bolsonaro pegou o chapéu de vaqueiro, uma das marcas de Valdemiro, pôs na cabeça e depois jogou o adereço para o público. Prometeu voltar à Marcha para Jesus no ano que vem, "se Deus quiser". 

Em entrevista logo após a marcha, ele desconversou nas duas vezes em que foi questionado se estava usando colete à prova de balas e não respondeu se vestia o equipamento por debaixo da camiseta branca com a logomarca do evento.

“Eu não sou imortal, tá ok? E você que tá dizendo que eu tô com colete”, disse ele a um jornalista.

O presidente Jair Bolsonaro, durante Marcha para Jesus, em São Paulo
O presidente Jair Bolsonaro, durante Marcha para Jesus, em São Paulo - Eduardo Anizelli/Folhapress

Segundo os organizadores, 3 milhões de pessoas participaram da marcha ao longo do dia (a cidade de São Paulo tem cerca de 12 milhões de habitantes). Eles dizem que foi a maior edição desde o início do evento. A Polícia Militar não divulgou estimativa de público.

 
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