Marcha para Jesus tem expectativa por Bolsonaro e queixas ao Congresso

Maior evento evangélico do país vê reconhecimento com 1ª participação de presidente

Fiéis durante a Marcha para Jesus, em São Paulo

Fiéis durante a Marcha para Jesus, em São Paulo Eduardo Anizelli/Folhapress

Joelmir Tavares
São Paulo

​“O Brasil é do Senhor Jesus ou não é?”, perguntava o orador do alto de um trio elétrico no início da Marcha para Jesus, na manhã desta quinta-feira (20). “Ééé”, respondiam em coro os participantes no asfalto, na região central de São Paulo.

Maior evento evangélico do país, a passeata viveu neste ano a expectativa de algo inédito: a presença de um presidente da República, que nunca havia ocorrido em 27 anos de marcha.

Jair Bolsonaro (PSL) chegou ao local no fim da tarde, por volta das 16h.

Pela manhã, assim como o locutor no trio de boas-vindas (são dez no total), parte do público chegou à concentração celebrando a participação de Bolsonaro.

“Venho pela fé, pelo amor a Deus e pela obra dele. Mas este ano vim também para ver o presidente”, disse Suzi Gomes, 58, frequentadora do ato há 24 anos. 

“Os corruptos não querem que ele [Bolsonaro] governe, mas ele está fazendo o que pode”, acrescentou a moradora de Moema (zona sul), eleitora de Bolsonaro e fiel da Renascer em Cristo, igreja que idealizou a marcha.

Queixas sobre o Congresso foram como salmos na boca dos participantes —a maioria dos apoiadores do presidente entrevistados pela Folha no local reclamou que deputados querem paralisar o governo, ecoando discurso do núcleo duro bolsonarista.

“Tá tudo em marcha lenta”, observou o empresário Mauro Manzini, 62, também seguidor de Bolsonaro e da Renascer, morador da Pompeia (zona oeste). “É importante ele vir aqui e mostrar que Deus é quem comanda o governo dele. Quem sabe não ajuda a enfrentar as turbulências?”

Fiéis na Marcha para Jesus, em São Paulo
Fiéis na Marcha para Jesus, em São Paulo - Eduardo Anizelli/ Folhapress

Outros governantes, como o tucano João Doria (SP) se juntaram à marcha. O governador de São Paulo discursou pouco antes do meio-dia ao lado do casal Estevam e Sônia Hernandes, líderes da Renascer e organizadores da mobilização.

No trio, Doria exaltou o clima de paz e puxou uma prece “por São Paulo e pelo Brasil”. Ergueu os braços, acompanhado da primeira-dama do estado, Bia Doria, e fechou os olhos durante a oração.

Em seguida, o líder do PSDB e provável candidato à Presidência em 2022 gravou um vídeo para redes sociais e posou para fotos com a multidão ao fundo.

 
Fiéis durante a Marcha para Jesus, em São Paulo
Fiéis durante a Marcha para Jesus, em São Paulo - Eduardo Anizelli/Folhapress

Nem todos ao redor dos trios, contudo, ouviram falar das aparições de políticos.

Caso do personal trainer Vinícius Oliveira, 26, da igreja Bola de Neve, que saiu de Guarulhos para ir ao encontro pela primeira vez. “Eu queria ver o show da [cantora gospel e ex-apresentadora infantil] Priscila Alcântara, mas vou ter que sair antes para trabalhar”, comentou.

Ainda pela manhã, o público já demonstrava animação dentro da estação Luz do metrô, ponto de encontro da manifestação. Alguns andavam em grupo cantando louvores. 

No peito, camisetas brancas com a logomarca da marcha. Muitos usam também roupas e adereços com a cruz estilizada que forma a palavra “fé”, última moda entre cristãos.

Ao longo do trajeto de 3,5 km, os trios elétricos recebem bandas e líderes evangélicos. Os sons e estilos se misturam. Uma cantora entoava o hit “Noites Traiçoeiras” enquanto, no carro ao lado, jovens dançavam outra música gospel em ritmo de axé.

A organização ainda não divulgou estimativa de público do evento, que continuará até a noite. A multidão fez o trajeto cantando, dançando e orando. Parece bloco de Carnaval, mas na Marcha para Jesus, por exemplo, não é permitida venda de bebidas alcoólicas.

Fiéis na Marcha para Jesus, em São Paulo
Fiéis na Marcha para Jesus, em São Paulo - Eduardo Anizelli/Folhapress

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