Alvo por contratos sem licitação, Crivella mira acordos da Fundação Roberto Marinho

Prefeito abre sindicância para avaliar contratações feitas por Paes com entidade

Italo Nogueira
Rio de Janeiro

Alvo de CPI e do Tribunal de Contas do Município por contratações sem licitação, a gestão Marcelo Crivella (PRB) decidiu abrir fogo contra a Fundação Roberto Marinho, ligada ao Grupo Globo, que vem noticiando o andamento das apurações.

O prefeito instaurou no mês passado sindicância para analisar todas as contratações sem licitação da Fundação Roberto Marinho feitas por seu antecessor, Eduardo Paes (DEM), potencial adversário na eleição de 2020.

São ao menos 15 contratos que renderam R$ 103,7 milhões à entidade, segundo o sistema financeiro da prefeitura. O maior deles, para a construção do Museu de Arte do Rio (MAR), foi considerado irregular por auditoria do município realizada na gestão Paes.

A Fundação Roberto Marinho afirma que todos os contratos com o município “estão em perfeita conformidade com a legislação aplicável” e criticou a atuação de Crivella no caso. 

A comissão de sindicância foi aberta após o jornal O Globo publicar reportagens sobre uma série de obras emergenciais realizadas sem cobertura contratual, o que motivou a abertura de investigação no TCM.

Crivella também é alvo de uma CPI na Câmara em razão das contratações emergenciais.

O prefeito enviou representação ao Ministério Público Estadual sobre os contratos da fundação.

Outro lado

A prefeitura afirmou que a análise sobre os contratos da fundação antecede as reportagens do jornal O Globo sobre possíveis irregularidades em obras na gestão Crivella.

Ela aponta uma auditoria iniciada em janeiro de 2018 após pedido do TCM sobre a gestão do Museu do Amanhã.

“O que o prefeito Marcelo Crivella fez em 25 de julho de 2019 foi dar publicidade a processos de investigação, que carecem de respostas por parte dos órgãos de controle”, diz o município. 

A prefeitura afirma que muitos dos contratos sem licitação se devem à demora do TCM em aprovar seus editais.

A Fundação Roberto Marinho disse que todos os contratos “foram executados dentro dos princípios da transparência, moralidade, legalidade e eficiência”.

Em relação ao caso do MAR, a instituição afirmou que "foi contratada para conceber, coordenar e monitorar todo o projeto" e que, "sem esta unidade, um projeto como este não aconteceria, uma vez que é necessário que as obras de restauro e a criação dos espaços expositivos conversem com a narrativa e os demais elementos da proposta artístico-pedagógica”.

O Grupo Globo criticou a atuação de Crivella no caso.

“O prefeito, mais uma vez, mente e manipula fatos para esconder as graves denúncias que atingem a sua gestão. A tentativa de equiparar a Fundação Roberto Marinho ao pacote de verbas que a sua administração na prefeitura aprova sem licitação, é, no mínimo, irresponsável”, diz a nota do grupo.

Procurado, Paes não comentou as contratações.

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