Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro acena ao Senado e reconduz apadrinhado do PP à superintendência do Cade

Indicações são feitas após o presidente ter cancelado as escolhas anteriores

Fábio Pupo Mariana Carneiro
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro resolveu reconduzir ao cargo de superintendente-geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) Alexandre Cordeiro, nome apadrinhado pelo senador Ciro Nogueira, presidente do PP. 

Cordeiro chegou ao cargo em 2017, durante o governo Temer, depois de o então presidente aceitar a influência do partido e cancelar a escolha de um nome técnico para o cargo (o de Amanda Athayde, que havia sido indicada anteriormente).  

O superintendente se aproximou da equipe do ministro Paulo Guedes (Economia) nos últimos meses, em especial durante as discussões acerca da abertura do mercado de gás (de interesse da pasta).

O presidente Jair Bolsonaro ao lado de Davi Alcolumbre, presidente do Senado
O presidente Jair Bolsonaro ao lado de Davi Alcolumbre, presidente do Senado - Evaristo Sá/AFP

Tradicionalmente, as escolhas para o Cade têm nomes definidos pelas pastas de Guedes e da Justiça, para haver um equilíbrio entre juristas e economistas na composição do órgão. 

Além de Cordeiro, Bolsonaro encaminhou três nomes para o conselho do órgão na quinta-feira (22).

As indicações são feitas após o presidente ter cancelado as escolhas anteriores, feitas neste ano pelos ministros Guedes e Sergio Moro, após relatos de insatisfação no Senado pelos nomes não terem sido combinados previamente com os parlamentares. 

O movimento ocorre no momento em que o Senado assume a condução da reforma da Previdência e se prepara também para outro momento crucial para o governo. O da sabatina do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), indicado pelo pai para ocupar o posto de embaixador do Brasil nos EUA. 

Os dois nomes indicados e depois cancelados foram os do professor paranaense Vinicius Klein, escolhido por Moro; e o economista Leonardo Bandeira Rezende, selecionado por Guedes. Eles eram considerados qualificados, de perfil técnico e sem influência político-partidária. 

Agora, Bolsonaro indicou três nomes para o conselho do Cade (que, no total, terá quatro cadeiras vagas neste ano). Luis Henrique Bertolino Braido, mestre pela FGV e doutor em economia pela Universidade de Chicago, foi indicado por Guedes. Também estão na lista Luiz Augusto Azevedo de Almeida Hoffmann, sócio do escritório Almeida Prado e Hoffmann, em São Paulo, e Sérgio Costa Ravagnani, advogado e subchefe adjunto de Política Econômica da Casa Civil.

O presidente ainda indicou a advogada Lenisa Rodrigues Prado para o cargo de procuradora-chefe do Cade.

Procurado sobre a influência do Senado nas indicações, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, diz que a decisão é do Executivo. “As indicações para o Cade ou qualquer outra agência reguladora são de prerrogativa exclusiva do poder Executivo."

"Todos os nomes indicados serão devidamente sabatinos no Senado Federal, onde os indicados poderão provar suas capacidades. O Brasil precisa destravar a economia, gerar empregos e voltar a crescer", afirmou em nota.

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