Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Bolsonaro usará desfile militar para demonstrar força política

Presidente convidou empresários e religiosos simpáticos ao governo e investiu mais recursos no evento de Sete de Setembro

Gustavo Uribe
Brasília

A tradicional parada de Sete de Setembro, promovida neste sábado (7) na Esplanada dos Ministérios, terá neste ano um forte componente político.

Com uma popularidade em queda, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) pretende transformar o evento anual em uma demonstração de apoio público.

Para a preparação da cerimônia, ele liberou mais recursos do que seu antecessor, Michel Temer (MDB), e convidou religiosos, empresários e militares simpáticos ao seu governo.

O presidente Bolsonaro acena para a plateia durante evento de lançamento da ID Estudantil, nesta sexta (6), no Palácio do Planalto
O presidente Bolsonaro acena para a plateia durante evento de lançamento da ID Estudantil, nesta sexta (6), no Palácio do Planalto - Pedro Ladeira/Folhapress

A área reservada a autoridades, que costuma ser ocupada por poucos integrantes do Executivo e do Legislativo, será reforçada pelos apoiadores do presidente.

O Palácio do Planalto convidou, por exemplo, os empresários Silvio Santos (SBT) e Luciano Hang (Havan) e os pastores evangélicos Edir Macedo (Universal), Renê Terra Nova (Movimento Internacional da Restauração), Robson Rodovalho (Sara Nossa Terra) e Manoel Ferreira (Assembleia de Deus).

Na noite desta sexta-feira (6), o presidente jantou no Palácio da Alvorada com Silvio Santos e Edir Macedo.

O contrato assinado pela gestão pública para a organização da cerimônia foi de R$ 971,5 mil, enquanto no ano passado foram gastos R$ 842,3 mil, em valores corrigidos pela inflação do período.

No último mês, a popularidade de Bolsonaro enfrentou uma erosão. A mais recente pesquisa Datafolha mostrou o aumento de 33% para 38% na reprovação de sua gestão de julho a agosto, com perda de apoio entre os mais ricos e os mais escolarizados.

Na tentativa de demonstrar que ainda conta com apoio social, a ideia do presidente é reforçar durante a cerimônia que a população brasileira atendeu ao seu apelo e vestiu verde e amarelo neste sábado (7).

Segundo assessores do Palácio do Planalto, a intenção dele é ainda utilizar a data comemorativa para pregar que sua eleição representa uma nova independência ao país, com a derrota dos partidos de esquerda. 

O tom político também será adotado, segundo relatos feitos à Folha, no discurso em cadeia nacional de televisão e rádio. Além de criticar seus antecessores no cargo, Bolsonaro deve reforçar a defesa à soberania nacional, sobretudo em relação à Amazônia.

A previsão é de que a parada na Esplanada reúna neste ano um público de cerca 30 mil pessoas, com uma estrutura de arquibancadas para 20 mil. Ao todo, em torno de 3.000 militares participarão do desfile, que deve ter duração de 1h20.

A cerimônia terá a participação de contingentes de fora da capital federal, como a Banda Marcial do Corpo de Fuzileiros Navais do Rio de Janeiro, e de aeronaves trazidas de São Paulo, Rio de Janeiro e de Goiás. A Esquadrilha da Fumaça encerrará a solenidade.

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