Como fiz caixa 2 se não fiz campanha?, diz Bolsonaro sobre laranjal do PSL

Investigação indica que verba de candidatas pode ter sido usada 'por fora' durante a disputa eleitoral

Gustavo Uribe
Brasília

O presidente Jair Bolsonaro afirmou, na noite desta terça-feira (8), que não tem nenhum envolvimento em suposto esquema caixa dois em campanhas do PSL em Minas Gerais. 

"Não fiz campanha. Como é que me acusam que eu fiz campanha com caixa dois? Eu não fiz nada. Não anunciei em jornal nenhum, não fiz uma passeata, não fiz nada”, disse o presidente, ao chegar ao Palácio da Alvorada.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) - Adriano Machado/Reuters

Ele criticou novamente reportagem da Folha, publicada no domingo (6). Segundo o texto, um depoimento e uma planilha obtidos pela Polícia Federal sugerem que recursos de esquema de candidaturas laranjas do PSL foram desviados para abastecer, por meio de caixa dois, a campanha do presidente e do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio.

“Só esta semana, me botaram como responsável por problemas em Minas Gerais. Não tenho nada a ver. Imagine se eu sou for responsável por 2.000 candidatos pelo Brasil”, disse.

No dia que a reportagem foi publicada, o presidente disse, em suas redes sociais, que a Folha "avançou todos os limites" e desceu "às profundezas do esgoto"

O texto revela que Haissander Souza de Paula, ex-assessor de Álvaro Antônio e coordenador de sua campanha a deputado federal no Vale do Rio Doce (MG), disse em depoimento que "acha que parte dos valores depositados para as campanhas femininas, na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Bolsonaro". 

Em uma planilha, nomeada como "MarceloAlvaro.xlsx", há referência ao fornecimento de material eleitoral para a campanha de Bolsonaro com a expressão "out", o que significaria, na compreensão de investigadores, pagamento "por fora".

O ministro nega irregularidades.

Bolsonaro disse que, na época da campanha, estava acamado por conta da facada que sofreu durante a disputa eleitoral, em Juiz de Fora (MG). Após o ataque, ele passou 24 dias internado 

Pela manhã, o presidente disse a um apoiador que esquecesse o seu partido, o PSL. À noite, ele se negou a explicar o que quis dizer quando fez a sugestão.

Ao ser abordado pelo apoiador, Bolsonaro disse que o presidente nacional da legenda, o deputado federal Luciano Bivar (PE), estaria "queimado para caramba", o que desencadeou uma reação da sigla.

“Agora você fez a pergunta para cortar o papo com vocês. Boa noite”, despediu-se o presidente, que desceu do carro para conversar com um grupo de simpatizantes na entrada do Alvorada.

Após a declaração sobre seu próprio partido, um setor do PSL produziu um manifesto público em apoio a Bivar, no qual exalta a importância da sigla nas eleições gerais do ano passado.

Na porta do Palácio do Alvorada, o presidente voltou a atacar a cobertura dos veículos de imprensa ao seu governo e questionou se o interesse é desgastá-lo “o tempo todo”.

“Qual é o interesse? É me desgastar o tempo todo? Aí fica duro”, disse. “No dia em que vocês [repórteres] —eu sei que muitas vezes não são vocês, é o editor— tiverem um compromisso com a verdade, será um prazer conversar com vocês. Cada vez que eu falo é problema”, afirmou.

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