Bolsonaro diz gostar de Crivella, mas evita declarar apoio a ele para 2020 no Rio

Segundo Datafolha, prefeito é reprovado por 72% e fica atrás de Paes e Freixo na corrida eleitoral

Brasília

O presidente Jair Bolsonaro disse neste domingo (15) que gosta do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos), mas evitou declarar apoio à reeleição dele na disputa municipal do ano que vem.

“Eu não vou dizer quem vou apoiar ou não. Eu estou livre, estou aquele cara que está solteiro. Quer que eu case com alguém agora? Não vou casar”, disse, ao sair do Palácio da Alvorada e ser questionado se apoiaria Crivella.

“Gosto do Crivella, me dou bem com ele. A população é quem vai decidir o futuro prefeito lá”, afirmou.

O presidente Jair Bolsonaro e o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, em evento militar
O presidente Jair Bolsonaro e o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, em evento militar - Celso Pupo/Fotoarena/Folhapress

Pesquisa Datafolha publicada neste domingo mostra que Crivella viu aumentar a reprovação ao seu governo em meio a uma crise financeira que causa reflexos em serviços à população como na área da saúde.

Em outubro de 2017, a administração do prefeito era considerada ruim ou péssima por 40% dos entrevistados. Esse percentual subiu para 61% em março de 2018. Na atual pesquisa, 72% avaliaram negativamente a gestão.

O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) e o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) lideram as intenções de voto para o cargo nos três cenários analisados pelo instituto. Em todos os casos eles estão tecnicamente empatados, sempre com o ex-prefeito numericamente acima.

Crivella, que pretende disputar a reeleição, aparece com 9% em dois cenários pesquisados e 8% em outro. Na simulação com maior número de candidatos, Eduardo Paes está na frente, com 22%, empatado tecnicamente com Freixo, que tem 18%. Crivella registra 8%.

Datafolha entrevistou 872 pessoas para o levantamento, encomendado pela Folha e pelo jornal O Globo e realizado de quarta (11) a sexta (13) na cidade do Rio de Janeiro. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Ao falar sobre o tema, Bolsonaro pôs em dúvida sua participação nas eleições municipais de 2020, lembrando que está em meio ao processo de formação de seu novo partido, a Aliança pelo Brasil.

Dentre outras exigências previstas na legislação, a nova sigla precisa recolher aproximadamente 500 mil assinaturas distribuídas por ao menos nove estados para poder ser criada. Em média, os partidos fundados nos últimos anos levaram mais de três anos para completar todo o trâmite burocrático exigido.

Bolsonaro tem dito que o processo poderia ser acelerado se fossem aceitas assinaturas digitais. No início do mês, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) liberou a coleta digital, mas o tribunal ainda precisa aprovar uma regulamentação interna específica. Não há prazo para isso ocorrer.

"Se não for possível como eu pretendo, a modulação [do TSE], eu vou continuar sem partido. E como obrigatoriamente tem que ter um partido, não sei como vai ficar as eleições municipais no ano que vem com minha participação ou não. O Rio de Janeiro vinha sofrendo muito, espero que acerte a questão eleitoral", afirmou.

Segundo o Datafolha, 13% dos entrevistados na cidade do Rio declararam que escolheriam o candidato apoiado por Bolsonaro. Outros 25% disseram que talvez votassem no indicado e 60% afirmaram que não votariam em um nome referendado por ele.

Também neste domingo, Marcelo Freixo comentou o levantamento do Datafolha e atacou Crivella em postagem nas redes sociais.

"A pesquisa de hoje mostra que o carioca ama o Rio e não aguenta mais ver a cidade tão maltratada. Fico honrado pela lembrança dos eleitores e feliz por ver que o carioca está disposto a dizer não aos grupos criminosos e ao projeto de violência de Bolsonaro e Crivella", escreveu.

Ministros

​Bolsonaro foi questionado ainda sobre sua agenda do dia e disse que teria um evento no Clube do Exército. Segundo Bolsonaro, ele iria se encontrar com os ministros Tarcísio Gomes (Infraestrutura), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Fernando Azevedo (Defesa) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil). Ele não quis dizer o tema da reunião.

Questionado se seria um churrasco, negou. E, em tom de brincadeira, afirmou que o preço da carne está alto. “Não é churrasco, não. Está muito cara a carne”, disse.

“Nesta época todo ano tem entressafra e sobe 10%, 15%. Agravou um pouquinho por conta do... Nós abrimos o comércio. Se é para fechar o comércio, e daí? Vamos tabelar a carne, o que vocês acham?”, disse. “Taxar. Quer que taxe a carne para exportação, o que vocês acham aí? A Argentina taxou, não sei se para carne também. O que vocês acham aí?”, disse.

O presidente foi questionado ainda sobre declaração do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que disse que a COP 25 “não deu em nada”. E lembrou que o evento não foi realizado no Brasil por decisão dele.

“Eu não aceitei, eu que decidi. Estariam fazendo um Carnaval aqui no Brasil agora. Quero saber alguma resolução para a Europa começar a ser reflorestada. Ou só ficam perturbando o Brasil? É um jogo comercial. Não sei como pessoal não consegue entender que é um jogo comercial”, disse.

Bolsonaro aproveitou o tema para voltar a criticar a ativista ambiental sueca Greta Thunberg, que tem 16 anos e foi recentemente escolhida a personalidade do ano pela revista americana Time.

“A Greta é dez. O que a Greta falar é lei. A imprensa gosta de dar espaço para quem critica o Brasil. Falou mal do Brasil, dá uma repercussão enorme”, disse.

Ele confirmou que vai vetar o trecho do pacote anticrime que aumenta a pena para crimes de injúria, calúnia e difamação na internet. No sábado (14), ele havia adiantado que pretendia excluir essa parte.

​“Vou vetar aquele artigo que fala em triplicar a pena para crimes na internet de injúria, calúnia e difamação. Internet é território livre. Eu quero liberdade de imprensa. Ninguém mais do que eu sou atacado na internet. Não é por isso que vou achar que tem que criminalizar. Liberdade na internet. Quem sempre quis bloquear a internet de vocês, sabem que foi né? Aquele cara de nove dedos queria o controle social da mídia”, disse, em referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Colaborou Ana Luiza Albuquerque, do Rio de Janeiro

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