Em novo capítulo de disputa interna, PSL decide expulsar Bia Kicis, aliada de Bolsonaro

Em notificação, o presidente da sigla deputado Luciano Bivar diz que a parlamentar incorreu em grave infração ética

Brasília

Em mais um capítulo da disputa interna, o PSL decidiu expulsar, nesta quinta-feira (12), do partido a deputada Bia Kicis (DF), aliada do presidente Jair Bolsonaro. 

Na notificação, a que a Folha teve acesso, o presidente da sigla, deputado Luciano Bivar (PE), diz que a parlamentar incorreu em “grave infração ética” e desrespeitou os princípios de fidelidade partidária estabelecidos no estatuto do PSL.

Bia Kicis durante sessão de instalação da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos deputados - Pedro Ladeira/Folhapress - 13.mar.2019

“É notório que a deputada em questão vem realizando campanha em favor do partido em formação denominado ‘Aliança’, e para tanto desacreditando a agremiação à qual pertence atualmente”, escreve Bivar, referindo-se à Aliança Pelo Brasil, partido que Bolsonaro pretende fundar.

De acordo com o documento, a conduta de Bia Kicis, “pública e reiterada, implica em ofensa inadmissível à imagem do partido, bem como evidencia ação contrária ao programa partidário”. 

“A gravidade da conduta e os prejuízos que vêm sendo suportados pela agremiação, justificam a gravidade da pena imposta.”

Nesta quarta (11), a briga interna do PSL que se arrasta desde outubro teve reviravoltas. 

Com Eduardo Bolsonaro (SP) suspenso desde a noite de terça-feira (10) por decisão do diretório nacional do partido, a manhã começou com Joice Hasselmann (SP) eleita nova líder na bancada na Câmara. 

No meio da tarde, porém, uma decisão da Justiça de Brasília suspendeu as punições dos 18 parlamentares. O PSL recorreu.

Procurado, o ex-ministro TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Admar Gonzaga afirmou que a expulsão de Bia Kicis "é a prova absoluta da noção de propriedade que existe no PSL".

"É a absoluta comprovação de ausência de democracia e de respeito mínimo à ordem constitucional", disse à Folha.

Advogado da Aliança, Admar afirmou também que "uma expulsão dessa ordem é uma mancha na vida de qualquer partido".

De acordo com ele, a decisão só poderia ter sido tomada após a tramitação de um processo interno, em que foi dado o direito do contraditório e à ampla defesa à deputada. "Não temos notícia de que isso tenha acontecido."

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