Grupo de PMs que reagiu e atirou em Cid Gomes ocupa outro batalhão no interior do Ceará

O batalhão em que estavam foi desocupado na madrugada de quinta-feira (20), horas após o senador ser baleado

Sobral (CE)

Os policiais militares que estavam no batalhão onde o senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE) foi baleado na quarta-feira (19) ocupam desde a madrugada desta sexta (21) um outro quartel em Sobral, cidade a 270 km de Fortaleza. Eles protestam por melhor reajuste salarial.

A tomada da sede do Ciopaer (Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas) e da 4ª Cia da BPRaio, grupo da PM que faz patrulhamento em motos, foi tranquila, segundo o vereador de Sobral Sargento Ailton. Ele atua como uma liderança para os manifestantes na cidade que é berço político de Cid e de seu irmão Ciro Gomes. O Solidariedade decidiu expulsá-lo sumariamente do partido. 

"O pessoal recuou da ocupação do outro batalhão [3º Batalhão da PM] por estratégia depois de tudo que aconteceu e agora ocupou essa outra sede, sem problema algum. A ideia é ficar por aqui até existir um acerto entre o governo e as lideranças dos policiais em Fortaleza", disse Sargento Ailton.

Foi do Ciopaer que no início da tarde de quinta (20) Cid Gomes embarcou no helicóptero que o transferiu de Sobral para um hospital particular em Fortaleza —sua saúde segue estável após receber os dois tiros, e não há risco de morte.

Segundo Sargento Ailton, cerca de 60 pessoas, entre policiais e manifestantes, estavam na manhã desta sexta na sede do Ciopaer. Há no local 12 viaturas e 14 motos que tiveram os pneus esvaziados. "Foi tudo tranquilo, há uma irmandade entre os policiais", disse Sargento Ailton.

Na madrugada de quinta, horas após Cid Gomes ser baleado depois de tentar entrar no 3º Batalhão dirigindo uma retroescavadeira, os policiais deixaram o local antes da chegada do Batalhão de Choque, que reocupou para o governo o quartel. A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará ainda não se pronunciou sobre a nova ocupação.

Há batalhões ocupados em Fortaleza e cidades da região metropolitana da capital cearense, como Caucaia.

O que querem os PMs?
Pedem que o governo refaça a proposta de reestruturação salarial enviada na terça (18) para a Assembleia. O projeto de lei prevê aumento de salário para os soldados da PM e para bombeiros de R$ 3.475 para R$ 4.500, com reajuste parcelado em três vezes até 2022.

Os PMs demandam que o pagamento seja feito em apenas uma parcela e que seja apresentado um plano de carreira para a categoria

Quando o motim começou?
Na tarde de terça (18). Desde a madrugada de quarta (19), pessoas encapuzadas passaram a invadir quartéis. Em um deles, em Fortaleza, dez viaturas foram levadas.

Em outro, carros e motos tiveram os pneus esvaziados. Três policiais militares foram presos e 261 estão sendo investigados por participação nos atos

PMs podem fazer greve?
Não. Greve é proibida para agentes das polícias Civil, Militar, Federal, Rodoviária Federal, Ferroviária Federal e Corpo de Bombeiros

Qual o cenário político no estado atualmente? 
O principal pré-candidato da oposição à prefeitura de Fortaleza na eleição de 2020 é o deputado federal Capitão Wagner (Pros), ex-integrante da PM e que, entre 2011 e 2012, liderou greve dos policiais militares quando Cid Gomes era o governador.

Hoje, a prefeitura da capital é comandada pelo PDT de Ciro e Cid Gomes, com Roberto Cláudio, mas ele está em segundo mandato. Ainda não há um nome de consenso entre os governistas para a disputa. O governo é comandado por Camilo Santana (PT), aliado de Ciro e Cid Gomes.

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