Collor adere às redes sociais, responde a usuários e só deixa memes para assessores

Ex-presidente postou pedido de desculpas pelo bloqueio de ativos que promoveu em seu governo

Brasília

O ex-presidente e senador Fernando Collor (PROS-AL) aproveitou o período de isolamento social por conta do novo coronavírus para se aventurar no universo das redes sociais. Collor afirma que destina boa parte do tempo em sua casa para escrever em sua conta do Twitter, interagir com os usuários, mas só deixa a elaboração de memes para sua equipe técnica.

Collor participou na tarde desta segunda-feira (25) do Ao Vivo em Casa, a série diária de lives da Folha.

O senador e ex-presidente da República Fernando Collor de Mello (PROS-AL) em participação no Ao Vivo em Casa, série de lives (transmissões ao vivo) da Folha - Reprodução/TV Folha

"Eu ingressei nesse mundo digital, esse mundo novo que se descortinou em frente de mim de uma forma inesperada. Então nesse período em que todos nós estamos submetidos a essa quarentena, eu me vi com tempo disponível para voltar as minhas vistas a essa ferramenta extraordinária que é a das mídias sociais. É uma ferramenta de uma capilaridade impressionante", disse.

O senador mencionou sua nova fascinação pelo Twitter ao ser questionado por que havia postado um pedido de desculpas a respeito do bloqueio de ativos que promoveu em seu governo, nos primeiros anos dos anos 1990. O ex-presidente então explicou que já havia se desculpado por essa medida, mas que mesmo assim era perguntado sobre o assunto nas redes sociais. Então, se deu conta de que uma parte dos usuários —provavelmente mais jovens— ainda não havia tido contato com suas declarações anteriores sobre o tema.

"Eu sentia que essas pessoas não tinham conhecimento ainda do meu pedido de desculpas, do meu pedido de perdão. Então por isso eu tuitei para esse público específico que eu entendi que não havia tomado conhecimento ainda daquilo que eu já havia afirmado em relação ao bloqueio dos ativos".

Collor também afirmou que destina o tempo livre da sua quarentena para a leitura, para dar entrevistas e, principalmente, para postar em suas redes sociais. Ele garante que toda a parte escrita do conteúdo é produzida por ele próprio. No entanto, a parte "mais moderna" das redes fica a cargo de uma equipe.

"Eu que tuíto, diariamente, eu abri uma janela do fala Collor abrindo para diversas perguntas, as mais variadas que quisessem fazer, fora essas do dia a dia. E eu estou até com atraso, porque tenho 800 perguntas para responder. Estão todas separadas por blocos para responder. Eu tenho uma equipe que faz essa separação. Eu tenho uma equipe técnica que me assessora com essa questão desses memes, dos bonecos, quando é que alcança isso, quando é que alcança aquilo", disse.

Collor também fez várias críticas ao atual presidente Jair Bolsonaro e viu semelhanças o momento vivido pelo atual governo e o seu —que enfrentou um processo de impeachment.

Em 1992, Collor foi alvo de um impeachment instaurado pela Câmara, após o surgimento denúncias de corrupção. O processo não chegou a ser concluído, pois o então presidente apresentou sua carta de renúncia antes de seu julgamento pelo Senado.

O presidente criticou a participação de Bolsonaro em protestos, principalmente os que contam com faixas pedindo o fechamento do Congresso, do Supremo Tribunal Federal e intervenção militar.

"Ele participando e emprestando sua presença física numa manifestação como aquela, é muito difícil a gente não depreender que de alguma forma há uma certa simpatia dele pelo que dizem aquelas faixas", disse.

Por outro lado, o ex-presidente também atacou a forma como Bolsonaro busca construir uma aliança com o chamado Centrão, no Congresso Nacional. Collor afirma que "era tarde demais" quando ele tentou construir uma ponta com deputados e senadores, mas que a forma como o presidente atual vem negociando adesões abre brechas para o "toma lá, dá cá".

“Agora, mais recentemente, ele resolve fazer entendimentos políticos. Mas acontece que esses entendimentos políticos, é fundamental que sejam feitos à luz do dia, com transparência, com a participação da mídia, da imprensa, da população, para que todos nós sejamos informados de quais as pessoas e quais os partidos políticos que estão sendo chamados para fazer parte do governo e em torno de quem projeto eles estão tratando”, disse.

“A questão do toma lá, dá cá, é derivada de uma não transparência dos procedimentos” completa.

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